Ordenação de João Paulo Soares Henriques Na ordenação do jovem sacerdote, o Bispo de Aveiro acentuou a dimensão comunitária da vida do padre
“O padre é construtor apaixonado da comunhão eclesial. Nunca será padre só para si ou para alguns. É padre na Igreja e para a Igreja, em comunhão com a sua comunidade, os outros padres e o bispo”, afirmou D. António Marcelino, na ordenação do Pe João Paulo Soares Henriques, no último domingo, em Aveiro.
Numa tarde de calor, a Sé encheu-se de fiéis, uns de Estarreja, terra do novo padre, outros de Esgueira e Torreira, terras por onde passou em trabalhos pastorais como seminarista, e outros, ainda, da comunidade da Glória, onde o Pe João Paulo serviu enquanto diácono e continuará a servir como vigário paroquial.
Na homilia, o Bispo de Aveiro lembrou que “o padre não é escolhido pelos seus méritos, nem impedido pelas suas fraquezas”, mas vive pela “afirmação consoladora de Jesus Cristo: «Não foste tu que me escolheste; fui eu que te escolhi a ti»”.
A dimensão comunitária da vida do padre nota-se desde cedo na vida do vocacionado, pois este é “chamado anos antes da sua ordenação no seio de uma comunidade”. “O padre é homem da comunidade e não encontra explicação para si longe desta realidade”, proclamou D. António Marcelino, notando que essa característica deriva do ser da própria igreja. “A sinodalidade é a forma de a Igreja ser Igreja de Cristo”. A vivência da sinodalidade – o acento na dimensão comunitária da Igreja – é contrária às tendências do mundo actual, muito individualista, mas é a única forma de o padre “escutar, acolher, dialogar, promover cada um segundo os seus dons”. “Os padres são chamados a viver em sinodalidade: em conjunto com os irmãos, vivem a vocação e realizam a missão”, afirmou o Bispo de Aveiro, dirigindo este apelo ao novo padre e a cada um dos padres presentes, a maioria do presbitério aveirense, mas também de outras dioceses.
Chamamento de jovens adultos é um novo caminho
Sinal da importância da vida comunitária no ministério do padre são as “13 pequenas comunidades de padres diocesanos em espírito novo” que já existem na diocese. Diminuem os padres que vivem sozinhos na casa paroquial, aumentam os que partilham casa e trabalham solidariamente. Esta vivência exige que cada um “sacrifique algo em concreto”. Porém, “a cedência é compensadora, quando o projecto é de solidariedade efectiva”. O melhor exemplo vem de Jesus, que “fez equipa com os apóstolos”.
D. António Marcelino reconheceu que a diminuição do número de padres é um “sinal de Deus para caminhos novos”. Um é a referida vida comunitária dos padres. Outro é o chamamento de jovens adultos. “O seminário vazio de seminaristas é sinal da desatenção de Deus? Não! A descoberta vocacional faz-se na história concreta das comunidades”, disse o Bispo de Aveiro, revelando que um jovem de 19 anos e dois adultos, de 27 e 34 anos, “moldados nas suas comunidades e em movimentos apostólicos como os convívios fraternos ou os escuteiros”, vão entrar no Seminário Maior. “O chamamento de Deus surge em qualquer campo e qualquer idade, nunca à margem da oração, dos seus padres, dos movimentos apostólicos”, concluiu o Pastor da Diocese.
