Banco de trabalho – três potencialidades

Questões Sociais Como se referiu no artigo anterior (com base na encíclica «Laborem Exercens» – ver CV de 6 de Agosto), o «banco de trabalho» é constituído pelos postos de trabalho actuais, pelo capital acumulado e pelas potencialidades de criação de novos postos de trabalho. Entre estas potencialidades, realçam-se o próprio trabalho, a cooperação laboral e o sentido de responsabilidade. Todas elas vêm resistindo a todas as dificuldades e continuarão, por certo, a persistir no futuro; são, por isso, um fundamento consistente da nossa esperança, em termos sociais.

O trabalho faz parte integrante da história humana, e a ele se deve uma parte substancial dos progressos conseguidos em todos os domínios. Ele engloba as actividades consideradas de rotina, a criatividade e o esforço permanente de aperfeiçoamento. Realiza-se por conta própria ou de outrem e, por isso, também engloba a criação e a gestão de empresas. Tem como objectivos fundamentais a subsistência e o desenvolvimento humanos.

A cooperação laboral é a característica mais forte das relações de trabalho. Verifica-se nas empresas (e noutras entidades empregadoras), e consiste no entendimento básico entre empresários e outros trabalhadores para a prossecução de objectivos comuns. Em geral, não se explicita esta cooperação, e os seus detractores consideram-na como submissão do trabalho ao capital, ou colaboracionismo entre forças inimigas. No entanto a própria luta de classes, levada a sério, implica a cooperação laboral, até com o objectivo de ser salvaguardada a capacidade produtiva na eventual substituição do capitalismo por um sistema económico diferente.

O sentido de responsabilidade é o fermento e a «alma» do trabalho, da cooperação laboral, bem como da luta pela subsistência e pelo desenvolvimento. Caracteriza-se pelo esforço de cada pessoa, cada família e outros agregados sociais de maior amplitude para responderem por si próprios, não serem pesados a outrem e contribuírem para a erradicação da pobreza e para o funcionamento de toda a sociedade.

As grandes potencialidades do «banco de trabalho», acabadas de referir, relacionam-se com muitas outras. A formação, a investigação e a acção política distinguem-se, neste conjunto, pela sua relevância. Qualquer das três se vem caracterizando por uma ambivalência preocupante, na medida em que as suas actividades se processam, em simultâneo, a favor e contra a criação de postos de trabalho e a qualificação do emprego. Serão abordadas em próximos artigos.