Uma pedrada por semana Dizem as agências noticiosas que, no mesmo dia de encerramento festivo dos Jogos Olímpicos, com um festival que o mundo pôde ver e admirar, o governo chinês prendeu mais um bispo católico de 73 anos e o levou para lugar desconhecido, por ter celebrado missa para os seus fiéis naquele dia de Domingo.
Chama-se ele Július Jia Zhigo e a sua diocese tem 110 mil católicos e 80 sacerdotes. Esteve preso de 1963 a 1978 e, a partir daí, sempre em prisão domiciliária. Agora nem se sabe onde, mas sempre preso e impedido de ser livre na sua consciência.
O governo ordenara que durante os Jogos os cristãos não podiam reunir-se para evitar problemas que pudessem prejudicar no mundo a imagem da China.
O bispo Julius é um homem dedicado aos mais pobres e aos deficientes. Fundou na diocese uma obra para acolher 100 crianças que neste momento carecem de ajudas de toda a ordem.
O mundo dos que mandam sabe perfeitamente o que se passa na China e como a liberdade é uma palavra fictícia e uma realidade sem cotação. Porém o que interessa são as aparências e o viver de fachada tornou-se coisa comum.
Os jogos não resolvem problemas humanos de sofrimento profundo, nem servem para defender liberdades essenciais. As medalhas é que interessam, nem que seja necessário fazer passar os atletas chineses por trabalhos e humilhações. O ideal que viu nascer os Jogos já perdeu o esplendor e matou o sonho. E o mundo vai calar-se mais uma vez. O Papa decerto que não. Não é por se tratar de um bispo, mas porque a pessoa humana está amordaçada e espezinhada e os grandes do mundo olham para o lado.
António Marcelino
