Bem comum, dever de todos

Semana Social em Aveiro reflecte sobre “A construção do bem comum: responsabilidade da Pessoa, da Igreja e do Estado”

Está próxima a Semana Social 2009 que decorrerá em Aveiro, de 20 a 22 de Novembro, no Centro Cultural e de Congressos. Subordinada ao tema “A construção do bem comum: responsabilidade da Pessoa, da Igreja e do Estado”, é uma organização da Comissão Episcopal da Pastoral Social.

O tema impõe-se após “dois actos eleitorais e em época de crescente crise social”, afirma a Comissão Episcopal da Pastoral Social, que organiza o evento. “Convocam-se os cristãos activos nas várias instituições e iniciativas, atentos aos graves problemas da sociedade portuguesa, para reflectir e partilhar modos responsáveis, criativos e eficazes de vivência solidária. Importa esclarecer qual a responsabilidade de cada cidadão, o papel da Igreja Católica e o encargo do Estado Português na única construção do bem comum” – pode ler-se no prospecto de divulgação da iniciativa.

As intervenções principais estão a cargo de Barbosa de Melo (“A mudança de paradigma no papel e na relação do estado com a Sociedade”, dia 20, às 10h), D. José Policarpo (“Lugar da religião na edificação do bem comum”, dia 20, às 15h), Maria Lúcia Pinto Correia (“Direitos e deveres sociais; da retórica à prática”, dia 21, às 10h), António Matos Ferreira (“Caminhos para uma laicidade esclarecida, aberta e propositiva na sociedade plural”, dia 21, às 15h) e Ludgero Marques (“A responsabilidade pessoal e a participação das pequenas comunidades e iniciativas empresariais na construção do bem comum em contexto de globalização”, dia 22, às 10h).

Além destas conferências, existem os grupos de trabalho em que os participantes escolhem um entre três temas possíveis. Na tarde do dia 20, as alternativas são: “A dimensão religiosa na educação para o bem comum”, por Joaquim Azevedo; “Serviço Nacional de saúde e o direito à assistência religiosa”, por Isabel Galriça Neto; e “Instituições de solidariedade social à procura de novo rosto?”, por João Wengorovius Meneses. No dia 21, propõem-se como temas: “Evolução do conceito de laicidade e suas consequências no empenhamento na construção da justiça e a da paz”, por Fernando Catroga; “Concordata e suas implicações nas tarefas sociais da Igreja Católica”, por Rui Medeiros; e “A educação da liberdade”, por Júlio Domingos Pedrosa.

Mais informações: www.diocese-aveiro.pt

O que é o bem comum?

“Bem comum” é um conceito muito presente no pensamento social da Igreja, que vulgarmente se designa por DSI (doutrina social da Igreja), mas que tem andado arredado do pensamento político, mais centrado em resultados imediatos, estatísticas e índices. Uma definição clássica diz que bem comum é “o conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudim et Spes, 24). São áreas principais do bem comum o empenho pela paz, a organização dos poderes do Estado, a ordem jurídica, o sistema económico, os serviços essenciais para a vida das pessoas (trabalho, educação, saúde, cultura…). A promoção do bem comum, à luz da DSI, é a razão de ser do Estado. No entanto, as suas funções nunca devem absorver as capacidades próprias de pessoas e instituições. O debate sobre o papel da pessoa, da Igreja e do estado na promoção do Bem Comum tem pano para muitas mangas.