Idade e doenças exigem rede nacional de Cuidados Continuados – alertou congresso em Aveiro
Portugal é “dos países da União Europeia que mais idosos tem, sendo que a taxa de envelhecimento é particularmente dupla, pois não temos pessoas a nascer. Estudos recentes dizem-nos que 18% da população portuguesa tem mais de 65 anos e apenas 14% tem menos de 14 anos e estima-se que em 2050 exista um milhão de pessoas com mais de 100 anos na Europa”, alertou o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, no 1.º Congresso Nacional de Cuidados Continuados que decorreu em Aveiro.
Actualmente, em Portugal, o número de pessoas centenárias é superior a um milhar, prevendo-se que “nos próximos 30 anos vamos assistir ao aumento da taxa de envelhecimento, que subirá para os 30%”, sublinhou Manuel Lemos, que recordou ainda que “todas estas pessoas necessitam de cuidados de saúde especiais que os hospitais, lares ou até mesmo as famílias não conseguem prestar. Os lares não foram construídos para prestar cuidados continuados. Cerca de 30% das pessoas que estão nos lares não conseguem sair da cama e não deviam estar aqui”.
Associado à velhice há um considerável número de doenças, muitas delas incapacitantes e irreversíveis, que tornam os seus portadores totalmente dependentes de familiares, os quais nem têm preparação técnica nem, muitas vezes, capacidade económica e logística, para prestar esse tipo de cuidados especializados continuados. No entanto, cada vez é menor o número de lares que se predispõe a aceitar idosos nessas condições, pelo que é urgente uma rede de cuidados continuados que cubra, de forma efectiva e prática, o território nacional. Igualmente, é necessário uma política de incentivos (financeiros e tributários) que apoiem as famílias que prestam esses cuidados aos seus idosos.
A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, que está em progressão no país, e na qual as Misericórdias desempenham um papel fundamental (como em Ílhavo, em que a Misericórdia local está a construir o Hospital de Cuidados Continuados), precisa não só de pessoas capazes de prestar esse serviço, como também de recursos para promover a autonomia dos idosos e das pessoas com doença.
Os cerca de 400 profissionais que participaram neste primeiro congresso pretendem que os cuidados continuados surjam como uma nova competência técnico-científica no Sistema Nacional de Saúde, de modo a que as pessoas com dependência e os idosos tenham melhor qualidade de vida e beneficiem de mais e melhores cuidados de saúde.
Cardoso Ferreira
