Ao ler a última edição do CV, reparei na bela coincidência: a entrevista de fundo é feita a um jovem cigano, mediador da sua comunidade, comunidade esta que tanto o Sr. Daniel Rodrigues acarinhou, visitou e algumas vezes preparou para o sacramento do Baptismo, que relembro nos meus primeiros tempos de catequista, quando nos cruzámos com um grande grupo de adultos e crianças no sábado anterior ao dia da grande festa.
Lembro-me igualmente de o ouvir ler algumas passagens de Aquilino Ribeiro, embevecido com a prosa e as paisagens das “terras do Demo”.
Foi com o Sr. Daniel Rodrigues que dei os meus primeiros passos no Correio do Vouga. Num dia, numa peregrinação da paróquia, conversámos sobre a minha possível colaboração. Por sua causa, passei a pensar todas as semanas sobre a importância das TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação), depois fui variando de assunto. Ao vizinho e amigo, devo a minha estreia no jornalismo, a actividade profissional que sempre me fascinou e que quis exercer quando era miúda.
Nestas alturas, percebo que nunca sou suficientemente grata, ou melhor, que nunca expresso de forma evidente a minha gratidão a quem me rodeia. É provável que nunca tenha agradecido directamente ao Sr. Daniel a oportunidade que me deu de partilhar as minhas reflexões e, sobretudo, de me obrigar a escrever, o que quer dizer fazer pensar, amadurecer ideias e encontrar um estilo. Espero ter-lhe demonstrado a minha amizade, quando escrevia e com ele confrontava algumas ideias, mas, sobretudo, quando nos cruzávamos na rua, ou a par, conversando, seguíamos para a igreja ou para as nossas casas.
Bem-haja, Sr. Daniel! Muito obrigada!
Teresa Correia
