Duas propostas para lembrar um grande jornalista

Prémio de Reportagem

Como jornalista, Daniel Rodrigues sempre cultivou o gosto pela reportagem, por vezes nos locais mais inóspitos, como as célebres reportagens na Serra da Freita, ou também em momentos de tensão e perigo pessoal, como no “Verão quente” de 1975 e do 25 de Novembro desse mesmo ano, ou ainda naquelas em que visava a defesa dos interesses das comunidades, de que são exemplos as que efectuou em defesa do “Vouguinha”.

As reportagens de Daniel Rodrigues não se limitaram ao território português, e muito menos ao distrito de Aveiro, já que ele esteve em trabalho de reportagem em mais de uma vintena de países, de praticamente todos os continentes, com destaque para os da América do Sul, como Brasil, Chile, Cuba e Venezuela.

As reportagens de Daniel Rodrigues marcaram uma geração de jornalistas e constituem referências do que de melhor houve no jornalismo aveirense e português do século XX.

Por tudo isso, deveria ser instituído o Prémio de Reportagem Daniel Rodrigues, para premiar anualmente o melhor trabalho de reportagem jornalística publicado na imprensa regional do distrito, prémio que poderia ser atribuído conjuntamente pelo Governo Civil de Aveiro e pela Diocese de Aveiro, em colaboração com as escolas de ensino superior que ministram cursos na área da comunicação social.

Praça Daniel Rodrigues

Para Daniel Rodrigues, o jornalismo só fazia sentido se tivesse em consideração a defesa de causas, e os anseios e interesses das comunidades, em especial dos mais carenciados e daqueles que “não tinham voz”.

A sua acção no diário “O Comércio do Porto”, e nos vários jornais em que colaborou, sempre se pautou por esses objectivos, transformando esses jornais em arautos do aveirismo. Ele, e o Capitão Joaquim Duarte (jornalista da secção de desporto de “O Comércio do Porto” na delegação de Aveiro), protagonizaram a mais mediática “luta” pela construção do IP5 (itinerário Principal 5), de que resultou a actual A25, não só pela escrita, mas também ao promoverem diversas provas de ciclismo ao longo desse itinerário.

Daniel Rodrigues foi também um “ferrenho” defensor da unidade do Distrito de Aveiro, com as suas crónicas e reportagens da Freita ao Buçaco e do “Alto do Farol” ao Préstimo.

Uma forma de a cidade de Aveiro prestar homenagem ao jornalista que mais lutou por ela nas últimas décadas do século XX e nos primeiros anos deste milénio seria atribuir o seu nome à rotunda das marinhas (Aveiro Oeste), praça que liga Aveiro ao “seu” IP5 (agora A25), e descerrar uma placa na fachada do edifício onde, durante mais de três décadas, funcionou a Delegação de Aveiro de “O Comércio do Porto”, na Praça General Humberto Delgado/“Pontes”.

Cardoso Ferreira