Bênção para tempos difíceis

Jovens prestes a entrar no mundo profissional devem procurar a verdade, sem medo do “espectro” das dificuldades.

“A Bênção dos Finalistas tem certamente maior significado nestes tempos difíceis que são os nossos. (…) Torna-se urgente o apelo para «firmarmos os nossos passos» no rumo certo do amanhã e para «afirmarmos a nossa fé», que nos leva a olhar em frente e a ver mais longe: para lá do tempo que passa, das coisas efémeras que perdem valor, das preocupações que nos inquietam e dos medos que nos assaltam”, disse o Bispo de Aveiro, antes de abençoar cerca de mil finalistas da Universidade de Aveiro e de outras escolas superiores da região, que, com as suas famílias, encheram a alameda da Universidade de Aveiro, na manhã de 22 de Maio.

Aos finalistas, que procuram a bênção de Deus para “dar graças pelo tempo que agora se cumpre e completa e pela vida que hoje nasce e daqui parte”, D. António Francisco aconselhou, na linha o Evangelho escutado, corações tranquilos, mesmo que “o espectro de tempos difíceis se apodere de nós e sobretudo de vós jovens”.

Sublinhando a expressão de Jesus, “Eu sou o Caminho, Verdade e a Vida”, afirmou: “Também para vós, a vida é uma caminhada e Jesus é o caminho. É Jesus Cristo que no caminho da vida nos ajuda a ir em frente, a alimentar a força da esperança e a acreditar que a vida tem sentido diferente e valor maior. As coisas têm preço mas só a vida tem valor sagrado. (…) Por outro lado sabemos que o caminho tem de se fazer na verdade. É a verdade que vós, jovens, tanto procurais e corajosamente defendeis”.

Antes, recordara as palavras de Padre Bento XVI, em Roma, à Academia da Universidade Católica Italiana, afirmando que “perante os desafios dos tempos que vivemos, cheios de incertezas sem precedentes, os estudantes devem ter uma orientação consistente para a verdade e devem ser capazes duma procura exigente, humilde e corajosa da justiça e do bem”. Os estudantes responderam com a oração de compromisso, dizendo numa das frases que querem “aplicar as aprendizagens adquiridas de forma justa, honesta, digna, de modo a zelar pelos valores e dignidade humana, tantas vezes esquecida”. J.P.F.

FINALISTAS

“A palavra da Igreja tem importância”

Cláudia Marques, finalista de Educação Básica, de Aveiro

Como viveu a bênção dos finalistas?

Com algum nervosismo, com muita ansiedade e sempre à pressa. Faço parta da comissão organizadora, sendo responsável pela liturgia.

Para si e para os seus colegas, faz sentido participar numa celebração religiosa no final do curso?

Para mim, faz. Muitos dos que aqui estão não são cristãos, mas sentem necessidade de receber algo que os fortaleça no caminho a prosseguir. A palavra da Igreja tem importância. Vimos isso nas reuniões preparatórias.

Como vê o seu futuro, após a universidade?

Vejos as coisas complicadas. Para já, vou tirar o mestrado.Com a licenciatura não vamos a lado nenhum. Com o mestrado… não sei.

“Na minha área, conseguiram emprego”

Sérgio Monteiro, finalista de Ciências Biomédicas, de Cacia

A bênção dos finalistas é importante para si?

Se é uma Eucaristia celebrada para nós, é sempre importante ter alguma relação com ela e dar um contributo. No meu caso, participo no coro.

Mas fá-lo por tradição académica ou por convicção de fé?

Não sou crente. Quer dizer, não sei como posso responder directamente a essa questão. Já fui mais crente do que sou. Talvez devido ao avanço do conhecimento, tenho muitas dúvidas. Mas a crença nunca deixa de existir em nós.

Como vê a sua entrada no mundo profissional?

Com um bocadinho de medo, mas com confiança. A minha área, a da investigação e diagnóstico molecular, é nova, mas pelos primeiros que já saíram, os resultados são bons. Conseguiram emprego. Também espero isso.