Bento XVI dedicou a catequese das Quartas-feiras, no dia 10 de Fevereiro, à figura de Santo António, “um dos santos mais populares da Igreja Católica”.
“Dotado de grande inteligência, equilíbrio, zelo apostólico e fervor místico, António de Pádua ou – como também é conhecido – de Lisboa, contribuiu de modo significativo para o desenvolvimento da espiritualidade franciscana”, assinalou, numa catequese que teve uma parte falada em português.
O Papa lembrou que na época de Santo António, com o florescer do comércio, cresceu o número de pessoas insensíveis às necessidades dos pobres e que o santo convidava os fiéis a pensar na verdadeira riqueza, que é a do coração. Hoje, assinalou, as doutrinas do Santo português – que morreu em Pádua e está sepultada nesta cidade do nordeste italiano – têm grande validade.
Bento XVI disse que a economia actual precisa de ética: “A crise financeira e os graves desequilíbrios económicos empobrecem muitas pessoas que vivem em condições de miséria. Na minha encíclica «Caritas in veritate» assinalei que a economia precisa de uma ética para seu bom funcionamento, não de uma ética qualquer, mas de uma ética amiga da pessoa”.
A catequese papal abordou o percurso de vida do santo português, o qual “começou a sua vida religiosa entre os Cónegos Regulares de Santo Agostinho, dedicando-se ao estudo da Bíblia e dos Padres da Igreja”.
“Porém, atraído pelo exemplo dos primeiros mártires franciscanos, fez-se discípulo de São Francisco de Assis e acabou por ser destinado para a pregação do Evangelho ao povo simples e o ensino da teologia aos seus confrades, lançando as bases da teologia franciscana”, acrescentou.
No último período da sua vida, Santo António “escreveu os «Sermões», onde propõe um verdadeiro itinerário de vida cristã. “Nessas obras, ele comenta os textos das Escrituras apresentados pela liturgia, utilizando a interpretação patrístico-medieval dos quatro sentidos: o literal ou histórico; o alegórico ou cristológico; o tropológico ou moral e o anagógico, que conduz à vida eterna. […] Trata-se de textos teológico-homiléticos, que retomam a pregação viva, na qual António oferece um verdadeiro itinerário de vida cristã. É tanta a riqueza dos ensinamentos espirituais contidos em Sermões que o Venerável Papa Pio XII, em 1946, proclamou António Doutor da Igreja, dando-lhe o título de “Doutor Evangélico”, porque seus escritos mostram o frescor e a beleza do Evangelho e, hoje, podemos lê-los com grande benefício espiritual”, declarou Bento XVI.
Santo António nasceu em Lisboa no final do século XII. Foi recebido entre os Cónegos Regulares de Santo Agostinho, primeiro em Lisboa, depois em Coimbra. Pouco tempo depois da sua ordenação sacerdotal ingressou na Ordem dos Frades Menores, com a intenção de se dedicar à propagação da fé cristã entre os povos da África. Exerceu com grande fruto o ministério da pregação em França e na Itália, tendo convertido muitos hereges. Foi o primeiro professor de Teologia na Ordem dos Frades Menores. Morreu em Pádua, em 1231.
Rezar com Santo António
“António fala da oração como uma relação de amor, que impele o homem a falar suavemente com o Senhor, criando uma alegria indescritível, que suavemente envolve a alma em oração. António lembra-nos que a oração exige um clima de silêncio, que não coincide com a separação do ruído exterior, mas é experiência interior, que visa eliminar as distracções causadas pelas preocupações da alma, criar silêncio na própria alma. Segundo o ensinamento do eminente Doutor franciscano, a oração está dividida em quatro estágios essenciais, que, no latim de António, são definidos: “obsecratio”; “oratio”; “postulatio”; “gratiarum actio”. Poderíamos traduzir assim: abrir confiadamente o próprio coração a Deus; falar afectuosamente com Ele; apresentar-Lhe as nossas necessidades; louvá-Lo e agradecê-Lo.
Neste ensinamento de Santo António sobre a oração, colhemos um dos traços específicos da teologia franciscana, da qual ele foi o iniciador, que é o papel atribuído ao amor divino, que entra na esfera dos afectos, da vontade, do coração e que também é a fonte de onde brota o conhecimento espiritual, que excede todo o entendimento […].
António escreve: “O amor é a alma da fé, torna-a viva; sem amor, a fé morre”. Apenas uma alma que reza pode fazer progresso na vida espiritual: este é o objecto privilegiado da pregação de Santo António”. Bento XVI
