Bispo de Aveiro esteve no Santuário de Fátima em Paris

O Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, presidiu, nos dias 12 e 13 de Outubro às celebrações que tiveram lugar no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris e aproveitou para presidir também ao Crisma, no domingo 16.

D. António Francisco dos Santos foi pároco da comunidade portuguesa de St Jean Baptiste, em Neuilly-sur-Seine, entre 1974 e 1978. Por isso, aproveitou para visitar a igreja. “Na altura éramos 10 sacerdotes, muitos deles o Senhor já os chamou, e os três que lá estão agora vieram depois”, contou. “Mas gostei de ter voltado lá e ainda está lá uma imagem de Nossa Senhora que eu trouxe no meu tempo. Isso alegra-me e anima-me”.

Das celebrações a que presidiu no Santuário, o Bispo de Aveiro diz que leva para Portugal um “testemunho vibrante da fé dos Portugueses”.

“Foi impressionante ver este Santuário cheio de Portugueses vindos de vários lados, alguns fazendo 50 km para estarem numa vigília em sintonia com os peregrinos de Fátima”, disse numa entrevista ao LusoJornal. “Um outro momento belo, foi o encontro com os pais das crianças da catequese. O Santuário estava cheio. Ver que os pais querem que os seus filhos tenham uma catequese em língua portuguesa é um testemunho que a igreja de Portugal necessita de saber”.

Emigração continua

O Reitor do Santuário sabia que D. António Francisco dos Santos tinha estado em França e que “tem um carinho muito particular” pela emigração. “Costumo dizer que sou filho e neto de emigrantes. Nas minhas veias corre sangue de emigrante. Aliás o meu pai faleceu no Brasil e está lá sepultado”.

O Bispo de Aveiro lembra que “em 1974, a comunidade emigrante era muito jovem. Todas as semanas chegavam novas pessoas trazidas pelo sonho de desenharem um futuro melhor para eles e para os seus filhos”. Acrescenta que hoje a comunidade é diferente. “Mas continuamos a ser os mesmos portugueses, com honestidade no trabalho, dedicação e testemunho da sua fé”.

O Bispo de Aveiro conta que todas as semanas há pessoas a emigrar. “A situação em Portugal é muito difícil. Há muita gente que hoje sente a necessidade de sair, embora nunca tivesse tido o sonho de sair. É esta a minha preocupação: é gente que emigra não por um projecto, não por um sonho, mas por uma necessidade”. E depois acrescenta:“Pensávamos que esta situação fazia parte dos tempos já passados”.

Coloca-se outra vez a questão do acompanhamento espiritual dos portugueses emigrados. “Já há 30 anos defendia não uma integração rápida e precipitada, mas defendia uma inserção progressiva, sempre acompanhada por padres portugueses e pela própria igreja francesa”. Mas D. António dos Santos afirma que nem Portugal disponibilizou sacerdotes em número suficiente, nem a França entende hoje que seja necessário virem para cá padres portugueses. “Eu penso que devemos fazer um trabalho em conjunto. A igreja de acolhimento não deve esquecer os laços que nos unem às nossas origens. E nós não podemos ver partir os membros das nossas comunidades, sem irmos com eles para estabelecer novos laços nos países de residência”.

Fascinado pela França

O “Padre António”, como ainda é lembrado em Neuilly, continua fascinado pela França. Veio para cá estudar quando tinha entre 24 e 28 anos. “Foi um momento de grande enriquecimento pessoal” disse ao LusoJornal. Admira o “progresso, a organização, a cultura e o aprofundamento do saber” e diz que “a experiência da França, que vive em democracia há 200 anos, devia ser copiada por todos os países da Europa. Até o facto da França ter dado a independência das colónias mais cedo do que os outros países devia ser um sinal a copiar, nomeadamente por Portugal”. Por isso compreende as “novas identidades” dos portugueses de França. “Não foi só a França que nos ajudou a nós, mas também fomos nós que ajudámos a França”, diz D. António Francisco dos Santos antes de lembrar as palavras do Cardeal Lustiger, proferidas em Fátima, no dia 13 de Agosto de 1984: “Agradeço-vos, portugueses, porque vós estais a ajudar a evangelizar a França”.

Carlos Pereira/LusoJornal