D. António Francisco encerrou no Domingo, 20 de Janeiro, a visita pastoral à Torreira, propondo cinco compromissos e manifestando “um desejo e um pedido”.
Como primeiro compromisso, o Bispo de Aveiro afirmou que a comunidade da Torreira tem de “continuar a consolidar a unidade e a alegria de ser Igreja” e “escola de comunhão”. O segundo passa por “incentivar iniciativas de formação cristã” para catequistas, animadores de jovens e adultos. O terceiro consiste em “atender os veraneantes que escolhem a nossa terra para tempo de férias ou em fim-de-semana prolongado”. O quarto tem a ver com a necessidade de “colaborar” com as associações e colectividades na valorização dos jovens, principalmente nos tempos livres, dos pobres, dos doentes e dos idosos. “Que não haja solidão, isolamento ou marginalidade”, disse. O quinto é relativo ao agrupamento de escuteiros, que está em formação nesta paróquia entre a Ria e o mar. É preciso “acolher a alegria e a bênção do agrupamento, testemunho do serviço à juventude e atenção àqueles que são a esperança do futuro”.
Como pedido, D. António Francisco referiu que “não há memória de uma ordenação sacerdotal” na paróquia. “Peçam que surjam vocações”, disse, notando, no entanto, que há nesta comunidade um seminarista e um candidato a diácono permanente. Por fim, o Bispo de Aveiro manifestou o desejo: “um centro paroquial onde crianças, jovens, famílias e adultos se encontrem em percursos catequéticos, convívio e formação”. “Deixo este sonho e disponibilizo-me para ajudar neste percurso”, declarou.
Respondendo ao repto, o P.e Abílio Araújo pediu a D. António Francisco o texto dos compromissos e desejos. “Queremos reflectir em conselho pastoral e no grupo dos agentes de pastoral”, afirmou. Para o pároco da Torreira e de São Jacinto, o facto de D. António Francisco ter começado as visitas pastorais por estas duas comunidades “responsabiliza-nos ainda mais”. “Tem de deixar marcas na vida da comunidade”, disse, dirigindo-se ao seu povo, no final da celebração em que D. António baptizou uma criança e alguns casais em bodas de prata ou de ouro renovaram os seus compromissos, como é habitual nesta comunidade, no início de cada ano civil. O P.e Abílio sublinhou ainda que a renovação da Torreira terá um impulso forte em Abril, a quando da missão popular (ver entrevista).
À Eucaristia seguiu-se um almoço com mais de três centenas de pessoas, numa tenda montada para o efeito no Largo da Varina.
“Precisamos de uma evangelização de base”
À visita pastoral segue-se a missão popular na Torreira. O P.e Abílio Araújo, pároco, faz um balanço da visita pastoral do Bispo de Aveiro e dá a conhecer algumas necessidades desta comunidade cristã entre a Ria e o mar.
Correio do Vouga – O que destaca na visita do Bispo de Aveiro às suas comunidades, São Jacinto e Torreira?
P.e Abílio Araújo – O primeiro aspecto a valorizar é a presença do Bispo em si mesma, que dá o sentido da comunhão diocesana. A visibilidade vai muito mais além do que os discursos. Em segundo lugar, a motivação que foi gerando nos diversos encontros, a palavra de estímulo que foi deixando, no sentido de construção comunitária, isto, quer nos grupos da paróquia, quer na cooperação com os organismos que são de fora da Igreja. Aconteceu tanto nos bombeiros e na Área Militar, em S. Jacinto, como aqui na Torreira, nos encontros por áreas profissionais – pescadores, comerciantes e agricultores – e também nos encontros com os autarcas.
Além da transmissão das preocupações de cada grupo, houve algum objectivo concreto nos encontros com esses grupos profissionais?
O encontro com os pescadores foi um primeiro passo para o lançamento da Pastoral do Mar. O diácono Simões [director do Clube Stella Maris – obra do Apostolado do Mar] acompanhou o Sr. Bispo nesse encontro. Trata-se de uma área em que é necessário intervir do ponto de vista humano, social e evangélico. É preocupação minha, desde que fui nomeado para cá. Não sei que caminho percorrer. Talvez este encontro seja uma rampa de lançamento. Quanto ao encontro com os agricultores, às vezes pensa-se que a Torreira é terra de mar, sol e ria e esquece-se a outra realidade. O lugar mais a norte, as Quintas, vive muito da agricultura. Pareceu-nos importante dar visibilidade a esta actividade.
O P.e Abílio disse publicamente que queria, com a comunidade, assumir os compromissos sugeridos por D. António Francisco. Como está o Agrupamento de Escuteiros?
O Agrupamento, graças a Deus, está bem e recomenda-se. Está a trabalhar. Temos uma equipa de seis adultos que está a fazer formação e alguns miúdos que estão a frequentar o agrupamento da Murtosa para depois avançarem aqui. Não temos data prevista para as primeiras promessas [que significam a oficialização do agrupamento], mas estou certo de que ainda serão neste ano civil, se não forem no ano pastoral [que vai até Junho].
E quanto ao Centro Paroquial?
É uma necessidade urgente. As estruturas de apoio à pastoral resumem-se a um salão e duas salas pequeninas. Este ano, fruto das boas relações com a Câmara Municipal e as associações, temos disponíveis duas salas na Galeria Municipal. A Associação Filantrópica da Torreia também nos deixou utilizar algum do seu espaço. Há uma boa colaboração, mas isso até vem mostrar a necessidade de uma estrutura própria para a paróquia.
Em que vai consistir a Missão Popular?
A Missão Popular, em Abril, está a ser preparada com os Padres Redentoristas. Terá dois momentos fundamentais. Durante duas semanas, uma equipa de missionários – religiosos e leigos – irá passar de porta a porta, convidando e dando a conhecer a missão. Depois, seguem-se duas semanas de pregação e formação intensas, com encontros e celebração dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação.
Tem grandes expectativas em relação à missão popular, na sequência da visita pastoral?
A missão já estava prevista quando o Sr. Bispo anunciou a visita pastoral, mas uma coisa motiva a outra. Com a missão, queremos que a paróquia olhe para fora. Precisamos de uma evangelização de base na Torreira. Cristo morreu e ressuscitou por nós. O objectivo da missão popular é fazer chegar a todas as pessoas este primeiro anúncio.
