Revisitar o Magistério O contexto de desprezo e ataque à família – característica do nosso tempo e da sociedade portuguesa em concreto – leva-me a respigar também a Pastores Gregis, no que respeita à solicitude do Bispo pela família. Ainda na perspectiva de que o Pastor deve ir à frente, “mostrando os Céus, apontando o rumo”, estimulando, educando, amparando…
“Pertence ao Bispo fazer com que sejam sustentados e defendidos os valores do matrimónio na sociedade civil, através de justas decisões políticas e económicas”. É isso: estimular as pessoas e movimentos; erguer também a voz, sabendo que as suas ovelhas lha reconhecem e a seguem.
Estará no horizonte do próximo Orçamento de Estado uma alteração significativa quanto ao regime fiscal, pondo, finalmente, em igualdade os casados “institucionais” com outras formas de “convívio conjugal” ou solteiros. Até agora, ser casado significava uma penalização fiscal! Mas não foi pelo silêncio “negociador” que se chegou lá! Ergueram-se vozes corajosas, denunciando constantemente esta injustiça, atentatória contra a família.
“Depois, no âmbito da comunidade cristã, não poderá deixar de encorajar a preparação dos noivos para o matrimónio, o acompanha-mento dos jovens casais e a formação de grupos de famílias que apoiem a pastoral familiar e, não menos importante, sejam capazes de ajudar as famílias em dificuldade. A proximidade do Bispo aos cônjuges e aos seus filhos, inclusive através de iniciativas de vário género com carácter diocesano, será para eles de seguro conforto”.
Poderíamos dizer que, na nossa Diocese, esta tem sido uma preocupação bem visível – o que não quer dizer bem correspondida. Renovam-se as esperanças, com a criatividade das propostas, neste ano em que a família merece a prioridade pastoral. Estamos seguros de que não vai abrandar a solicitude do Bispo. São abrangentes os projectos que nos são apresentados. Seremos capazes de tomar consciência, como Presbitério e Igreja Diocesana, da hora decisiva da família, para cooperar, dar as mãos, fruir e estimular quanto aí está na nossa frente?…
“O Bispo é Cristo na Igreja! É Cristo em terras de Aveiro”! Não basta dizê-lo, cantá-lo. Assumi-lo é indispensável, acolhendo a sua proximidade de pai, o seu arrimo de irmão! Cristo não nos interpela?… O Bispo não é um arremedo dele. É Ele que nos conduz, de forma visível. É Ele que connosco caminha os caminhos do serviço ao Homem, ao Mundo!
Querubim Silva
