Bispo e leigos

Revisitar o Magistério Voltamos a reler alguns parágrafos da exortação apostólica de João Paulo II Pastores do Rebanho, que compendia orientações conciliares para o exercício do ministério episcopal. Fixamo-nos, hoje, na relação dos Bispos com os Leigos, a quem não podem, de modo algum, substituir, mas por quem urge que tenham uma solicitude activa, face aos complexos problemas e momentos que se vivem.

“Nos fiéis leigos, que constituem a maioria do Povo de Deus, deve tornar-se cada vez mais visível a força missionária do Baptismo. Para tal, necessitam do apoio, estímulo e ajuda dos seus Bispos, que os guiem para realizar o seu apostolado segundo a índole secular que lhes é própria, sustentados pela graça dos sacramentos do Baptismo e da confirmação”.

E o n.º 52 continua: “Mas sobretudo compete aos leigos – e nesta linha devem ser estimulados – a evangelização das culturas, a inserção da força do Evangelho nas realidades da família, do trabalho, dos mass-media, do desporto, do tempo livre, a animação cristã da ordem social e da vida pública nacional e internacional”. (…) “Por seu lado, os Bispos acompanhem de perto os fiéis leigos, porque, imersos no âmago dos complexos problemas mundiais, estão particularmente expostos à ansiedade e ao sofrimento, e apoiem-nos a fim de que sejam cristãos de esperança inabalábel, firmemente ancorados na certeza de que o Senhor está sempre junto dos seus filhos”.

Seja no compromisso apostólico individual, seja no associado, o leigo tem de tomar o seu lugar específico. As qualidades que lhe são próprias, a sua competência profissional, o seu rasgo de intervenção social e política, os seus encargos administrativos…, tudo tem de ser repassado pelo seu fermento cristão, pelos valores que configuram de um modo peculiar o seu adn humanista e espiritual. Discernir estes talentos é, em última instância, tarefa do Bispo.

Mas não só. Como Pastor, ele tem responsabilidade de alimentar suculentamente essa vida de risco. E estimular, pela presença amiga, pela palavra clara e sonante, pelo apontar do rumo, que garantam ao fiel cristão a segurança do caminho que trilha. Não pode ser um general que comanda à distância, deixando para os seus fiéis o risco da linha da frente.

Precisamos de ter Leigos que o sejam para além dos ministérios e serviços intra-eclesiais. E que os Bispos estejam aí, na primeira linha, com eles, sobretudo quando as causas são de sobrevivência da dignidade humana, de permanência da família, de defesa da vida, de justiça social, de liberdade de educação… A Igreja não é a hierarquia; mas é comunhão orgânica, onde a hierarquia tem o seu lugar. E a sua expressão social tem de deixar perceber esta dinâmica de cumplicidade.

Querubim Silva