Bispo e presbíteros

Revisitar o Vaticano II Vamos viver cerca de dois meses não de Sé vaga, mas de transição, em que o Bispo D. António Marcelino, como Administrador Apostólico, orientará a vida da Igreja Diocesana e preparará a entrada efectiva ao serviço da Diocese do Bispo eleito, D. António Francisco. É a oportunidade de recordarmos mais algumas afirmações importantes do Concílio.

O Vaticano II, no n.º 28 da constituição dogmática Lumen Gentium, sublinha a estreita relação entre o Bispo e os Presbíteros e a corresponsabilidade de todos pela Igreja, seja diocesana, seja universal. Recordemos o texto.

“Os presbíteros, chamados ao serviço do Povo de Deus, como prudentes cooperadores da ordem episcopal e seus auxiliares organicamente unidos, constituem com o bispo um único presbitério, ao qual são confiadas diversas funções. Em cada uma das comunidades locais de fiéis, como que tornam presente o bispo, a quem estão unidos pela confiança e magnanimidade de espírito, e de cujo encargo e solicitude tomam sobre si uma parte, exercendo-a com dedicação todos os dias. Sob a autoridade do bispo, santificam e dirigem a porção da grei do Senhor que lhes foi confiada, tornam visível nesse lugar a Igreja universal, e dão o seu contributo eficaz para a edificação de todo o corpo de Cristo”.

O texto prossegue com algumas explicitações das relações e corresponsbilidade do bispo e dos presbíteros. Mas importa, desde já, sublinhar: a unidade do presbitério, que inclui o bispo e as relações de confiança e magnanimidade indispensáveis à preservação e testemunho dessa unidade. Uma primeira pergunta se nos impõe: Vivemos essas relações?…

A comunhão orgânica entre bispo e presbíteros tem como objectivo garantir que o cuidado com todos os fiéis, nas tarefas que são cometidas a cada um, é exercido com dedicação todos os dias e com uma solicitude que configura cada comunidade local, cada serviço, cada movimento ou grupo, com o rosto da única Igreja de Jesus Cristo. Não faremos, demasiadas vezes, pastoral por conta própria?… Olhar para além dos limites dos nossos horizontes é condição de compreensão e vivência da Igreja autêntica.

Portanto, o Concílio conclui e define bem: “Mercê desta participação no sacerdócio e na missão, os presbíteros reconheçam o bispo como seu verdadeiro pai, e obedeçam-lhe com respeito. O bispo, por seu lado, considere os sacerdotes, seus colaboradores, como filhos e amigos, como fez Cristo, que aos discípulos não chama servos, mas amigos”. Sairá alguém diminuído deste tipo de relação?… E o resultado do testemunho será incontestável!

Querubim Silva