Bispo – relação com os padres

Revisitar o Vaticano II Prosseguindo a reflexão sobre o “perfil” do Bispo da Diocese, retomamos o n.º 16 do Christus Dominus, para enunciar a desejável relação com o Clero.

“Abracem sempre com um amor especial os sacerdotes, que compartilham das suas obrigações e da sua solicitude, e tão zelosamente as cumprem no trabalho de cada dia, considerando-os como filhos e amigos e, portanto, estando dispostos a ouvi-los e a falar confidencialmente com eles, procurem desenvolver todas as actividades pastorais da diocese inteira.

Preocupem-se com as suas condições espirituais, intelectuais e materiais, para que possam viver santa e piamente e exercer com fidelidade e eficácia o seu ministério”.

De novo nos encontramos face a um conjunto de fortes exigências feitas ao Bispo, na relação com os seus Padres. Uma verdadeira relação paternal e amiga, capacidade de escuta e diálogo íntimo, partilha de sonhos e projectos pastorais, preocupação por uma vida de qualidade, integral, para um exemplar exercício do ministério.

Mas não deixa de ser exigente também para os Padres aquilo que é obrigação do Bispo. Aceitamos nós – e procuramos – esta relação filial, a confidência, a verdadeira comunhão pastoral, o seu conselho e sugestão, para intensificarmos a nossa vida espiritual, para zelarmos a nossa riqueza intelectual, para – sem deixar de ser sóbrios – cuidarmos dignamente a nossa vida material?…

É certo que uma atitude paternal e amiga não pode ser uma atitude paternalista. Todavia, uma atitude filial franca, não de subserviência, mas de confronto sereno e adulto, não se compraz com meias verdades, com encontros furtivos… É uma posição permanente de diálogo e solidariedade, mesmo quando é para discordar, para opinar responsavelmente.

Esta relação traduz-se na promoção de iniciativas, que vão desde a formação permanente organizada, até ao incitamento ao retiro, a outros encontros de oração, à partilha de bens, ao fomento dos encontros de diálogo e de amizade.

Não nos podemos queixar por não termos sido insistentemente provocados a promovermos e participarmos nestas iniciativas. Porém, é notório que alguns de nós sacerdotes cedemos ao individualismo feroz, recusando qualquer aproximação do Bispo, como se ela tolhesse a nossa personalidade.

Exame de consciência para todos – diria eu. A comunhão sacramental do Presbitério com o Bispo é uma realidade inquestionável. Mas os sinais “sacramentais” têm de se manifestar em gestos e atitudes visíveis, que exprimam e nos projectem para as realidades invisíveis!