Bispos convidam à calma em Timor-Leste

Os Bispos católicos de Timor-Leste emitiram um comunicado em que assinalam que “a Igreja condena toda a forma de violência” e apelam ao regresso da calma.

“O governo deve intervir para resolver a situação, detendo os responsáveis das desordens. A população deve retornar às suas casas e não se deixar levar por actos de violência indiscriminada”, afirmam D. Alberto Ricardo da Silva, Bispo de Díli, e D. Basílio do Nascimento, Bispo de Baucau.

A situação em Díli continua tensa, desde que, no passado dia 28 de Abril, uma manifestação convocada por ex-militares degenerou em confrontos violentos na capital ti-morense, junto ao Palácio do Governo, que foi apedrejado, tendo sido queimadas quatro viaturas e duas motocicletas.

Na sequência dos confrontos, a capital timorense sofreu um êxodo da população, mais de 70 por cento, segundo as Nações Unidas, que procurou refúgio nos distritos do interior.

Presidente da CEP

escreveu aos Bispos de Timor

Entretanto, D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, escreveu uma mensagem aos Bispos Católicos de Timor-Leste, na qual manifesta a sua preocupação perante o clima de tensão nesse país lusófono.

O texto, divulgado no início da semana pelo “Diário do Minho”, refere: “perante as notícias que nos chegam, quero, como Arcebispo de Braga e, particularmente, na qualidade de Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, partilhar convosco a dor da divisão e dos conflitos que separam o vosso povo de Timor”.

“Os conflitos armados são sempre incompreensíveis e condenáveis. Só o diálogo proporciona condições para aceitar a diferença doutrinal e cultural. Se isto vale em todos os momentos da história dum povo, adquire relevo quando a concórdia deveria unir para promover a dignidade e bem-estar de todos os timorenses”, assinala o presidente da CEP.

“Como irmãos no episcopado, manifesto a mais profunda solidariedade eclesial, para que as comunidades cristãs locais interpretem, no respeito mútuo pela diferença, o imperativo de construir unidade entre todos. Que o Deus da paz una o vosso povo e que as condições de tranquilidade regressem, para que a prosperidade possa florescer para todos os timorenses”, conclui o prelado.