Bispos da Guiné-Bissau agradecem apoio de Portugal

Projectos ao nível da Educação e da Saúde, entre outros

de âmbito social, são urgentes na Guiné-Bissau

Os Bispos de Bissau e da Bafatá, D. José Camnate e D. Pedro Zili, respectivamente, estiveram em Portugal para agradecer o apoio que tem sido prestado à Guiné-Bissau, mas também vieram ao encontro dos guineenses radicados entre nós, em visita pastoral.

Em Aveiro, para além dos contactos que mantiveram com D. António Marcelino e com serviços de alguma forma ligados à Igreja da Guiné-Bissau, encontraram-se com as comunidades guineenses que estudam, trabalham e vivem na nossa Diocese.

No encontro com estudantes e outras pessoas naturais da Guiné-Bissau, que se realizou no CUFC, com o apoio do Secretariado das Migrações e Turismo, de que é responsável o diácono José Alves, D. José Camnate e D. Pedro Zili falaram das suas inquietações e sonhos e dos projectos mais importantes que gostariam de ver desenvolvidos no seu país, nomeadamente ao nível da Educação e da Saúde, entre vários de âmbito social e eclesial.

D. José Camnate, que foi o primeiro bispo natural da Guiné-Bissau, falou ao Correio do Vouga das relações que a Igreja Católica mantém com as religiões tradicionais africanas, que predominam no seu país, e com a religião islâmica, tendo frisado que o entendimento é muito bom. No entanto, não deixou de referir que tem havido muitas conversões a Jesus Cristo.

Como não têm conseguido formar catequistas em número suficiente para responder aos pedidos da população, o Bispo de Bissau disse que a prioridade é “investir na formação das famílias para que se tornem elas próprias catequistas”. Referiu que tudo quanto é fundamental para a sociedade guineense “deve ser conservado e protegido pela família, porque, “quando ela transmite valores, eles são mais assimilados pelos indivíduos”.

Sobre a ajuda da Igreja portuguesa, recordou as renúncias quaresmais que as dioceses ofereceram à Igreja da Guiné-Bissau, nomeadamente a de Aveiro. “A nossa visita é também para agradecer o apoio que nos tem sido dado, ao mesmo tempo que falamos da nossa situação actual e das áreas em que gostaríamos de continuar a receber colaboração”, afirmou.

Por sua vez, o Bispo de Bafatá, brasileiro, adiantou ao Correio do Vouga que, nas seus contactos com governantes de Portugal, falaram das questões que inquietam os imigrantes guineenses, em especial da legalização e da integração, já que alguns se consideram “à parte”. Depois, abordaram a situação das pessoas que vêm ao nosso País por motivos de saúde e que à chegada se encontram desamparadas. “Pedimos que houvesse ‘corredores’ no aero-porto, porque normalmente não há ninguém que as encaminhe para os serviços de Saúde a que vêm dirigidas, mas também pedimos que facilitassem o atendimento”, frisou D. Pedro.

Como a Guiné-Bissau está grandemente carecida de estruturas básicas em relação à Saúde, como noutras áreas, os Bispos guineenses não deixaram de sublinhar que o ideal seria criar condições no seu país para se evitarem as deslocações para tratamento e consultas.

No contacto com os guineenses, D. José e D. Pedro procuraram inteirar-se da situação em que vivem, re-conhecendo que “não estão tão bem acompanhados, quanto gostariam”, tendo verificado, ainda, as dificuldades de muitos e a confiança que depositam nos seus bispos. Aos estudantes, disseram que a sua colaboração, depois de formados, é imprescindível. “Se todos continuarem fora do país, o processo de mudança e o progresso serão muito mais lentos; mas temos de ter coragem, porque o país é nosso”, adiantou D. José.

Contudo, aquele prelado afirmou que “as pessoas estão a crescer no conhecimento de que o futuro da Guiné passa pela intervenção de todos os guineenses”, acrescentando que o voluntariado missionário é importante, mas faltam recursos à Igreja para os receber.

D. Pedro não quis deixar de falar da renúncia quaresmal que a Diocese de Aveiro destinou em 2003 para a sua diocese. “Vim agradecer a D. António e à Igreja aveirense esse gesto de solidariedade para com uma diocese que está a nascer”. Com esse contributo e com o do patriarcado de Lisboa vão ser construídas a residência do Bispo de Bafatá e outras estruturas para os serviços da diocese.

Neste encontro no CUFC ainda foi evocada a memória de monsenhor Amândio Neto, administrador apostólico da Guiné, antes da independência, natural de Calvão e falecido há dois meses, na Casa dos Franciscanos, no Lumiar.