O momento não é, ainda, de lavar os cestos (pois a caminhada vai prolongar-se até ao dia da abertura do próximo ano pastoral, momento oportuno para envolver a diocese nos compromissos que foram sendo assumidos ao longo deste ano), mas já alguns desafios poderão ser colhidos do percurso feito desde que, no dia da Igreja Diocesana de 2003, a Diocese de Aveiro se colocou em caminhada com dinâmica sinodal sobre os jovens.
O carácter único que configurava esta caminhada faz-nos, à partida, prever que os frutos serão sempre muito mais profundos e significativos do que qualquer leitura possa prever. Confirma esta convicção o valor substancial dos plenários que foram realizados ao longo do ano, reveladores do muito trabalho «de casa» realizado pelos participantes com os seus respectivos grupos.
Em 10 de Janeiro, no momento do primeiro plenário, pôde observar-se o sentir dos jovens, analisando os inquéritos realizados em toda a diocese, com os quais se pretendia ir ao encontro de um desafio que marcou todo o rumo até aí feito e determinou o caminho futuro: onde estão os jovens? O que os move? Que desafios colocam à Igreja?
A partir das conclusões que os inquéritos pretenderam recolher, ficaram traçados, aqui, os quatro pilares de trabalho que estruturaram o rumo seguinte:
— família;
— formação;
— vocação;
— valores.
No plenário de 3 de Abril, o trabalho incidiu sobre a reflexão sobre família e formação, empreendida pelos diversos grupos da diocese. Este plenário serviu, ainda, como oportunidade não perdida para sentir o pulsar dos jovens que nele tomaram parte e que foram assumindo as suas leituras respeitantes aos dois vectores em análise. Esta foi, aliás, uma característica que marcou também o terceiro plenário, realizado em 26 de Junho, incidindo sobre «vocação e valores».
Os plenários tornaram-se, assim, não só representativos do substancial trabalho desenvolvido pelos grupos, mas igualmente, uma ocasião para a partilha, para o refazer da leitura que, num primeiro momento, os inquéritos já tinham permitido esboçar.
O desafio que fica a toda a diocese parece-nos ir em duas linha fundamentais:
– definir como linhas de actuação e reflexão permanentes, na diocese, os vectores que foram traçados a partir dos inquéritos elaborados, e que constituem os fulcros de alguma dificuldade de encontro entre Igreja e Juventudes;
– persistir na estruturação de oportunidades de reflexão e discussão que garantam a permanente atitude da Igreja de se dispor a ler os sinais dos tempos, sem receios, nem posturas de defesa, pois o dever de anunciar, denunciar e caminhar com os homens é permanente.
Luís Silva
