
Padre. Diretor
A Assembleia do Sínodo dos Bispos iniciou, na passada segunda-feira, os seus trabalhos sobre a Família. E, no discurso de abertura, o Papa Francisco traçou o rumo a seguir nesses trabalhos, sublinhando sem rodeios, que “o Sínodo não é um parlamento, onde, para se chegar a um consenso ou a um acordo comum, se recorre à negociação, a pactos ou cedências.”
A Igreja espera, atenta, o desenrolar dos dias do Sínodo, na perspetiva de redescobrir a frescura e vigor do projeto de Deus para a Família, do Evangelho da Família; e também na esperança de indicações pastorais envoltas na misericórdia divina, para acolher e apoiar todos aqueles que carregam “feridas” nas suas vidas familiares.
“O único método do Sínodo é o de se abrir ao Espírito Santo, com coragem apostólica, humildade evangélica e oração confiante” – afirmou o Bispo de Roma. Na verdade, só a submissão ao Espírito despojará os Padres sinodais de arquétipos ou preconceitos que toldem essa frescura inicial do sonho de Deus, libertando-os de olhar para o “depósito da fé” como “um museu a apreciar ou salvaguardar” e não “uma fonte viva” que alimente continuamente o caminho conjunto da Igreja numa leitura permanente da realidade “com os olhos da fé e o coração de Deus”.
O Santo Padre insiste nesta importância de preservar o Sínodo como “um espaço protegido, onde a Igreja experimenta a ação do Espírito Santo”. O que reclama “coragem apostólica e humildade evangélica”, para se criar um clima de libertação das “convenções e preconceitos próprios”, um clima de escuta dos irmãos, um clima que, em vez de apontar o dedo, estenda a mão para ajudar a levantar”.
Sem deixar de lembrar que Deus “criou a lei e o sábado para o homem e não o contrário”, o Papa adverte para “as seduções do mundo que tendem a apagar no coração do homem a luz da verdade”, bem como para o intuito de alguns quererem fazer da vida cristã “um museu de recordações”.
Uma atmosfera de “oração confiante” se exige a toda a Igreja, em comunhão com a Assembleia sinodal, contrariando a frívola azáfama da comunicação social, que, na maioria dos casos, busca sofregamente o insólito e escandaloso, que possa condicionar a marcha das reflexões e conclusões sinodais. Como se a Igreja pudesse renegar ou sequer toldar a luz da Revelação, em favor de um facilitismo oportunista de quem procura as palmas da plateia.
Outra coisa será o esforço de sondar a profundidade da misericórdia divina, que se traduza num agir pastoral de quem acolhe a todos sem exceção, procurando tratar a cada um de forma personalizada, segundo a sua situação, e não segundo uma opinião pública intencionalmente criada para desacreditar o caminho da aliança matrimonial realizada no Senhor.
Novidades anunciadas a destacar: a realização de uma conferência de imprensa diária e a divulgação dos relatórios dos trabalhos de grupo. Isto, naturalmente, em nome da verdade evangélica, para que a Igreja e o Mundo possam acompanhar e, de alguma forma, participar no evoluir dos trabalhos da aula sinodal.
