Pedrada por semana Cada vez se torna mais difícil educar, ajudar a crescer, transmitir critérios válidos para pensar e agir, relacionar-se com os outros de mãos desarmadas, viver e semear esperança, ser construtor de paz…
O coração de cada um foi-se tornando campo aberto onde todos, conhecidos e estranhos, acham que têm direito a semear, a colocar armadilhas, a abrir valas, a construir muros. Parece que já nada é de ninguém…
Em casa, na escola, nos meios de comunicação social, na rua, abundam os semeadores de braço alçado a lançar a sua semente por todo o lado. Dos que passam, uns a deixam distraidamente cair no seu coração sem se aperceberam que foram campo aberto, outros ouvem e acolhem-na acriticamente, alguns vêem a sua qualidade e rejeitam-na, ainda há quem reaja a quem o importuna, não faltando gente que se aproveite da ocasião para ser também ela mesma um semeador inesperado do que lhe vai na alma, vazia ou cheia.
Assim a vida e a sociedade. Depois, como se colhe o que se semeou ou se deixou que se semeasse no seu terreno pessoal, o panorama da colheita ou o dos frutos a entrar no mercado da vida, tornou-se preocupante. Lá diz a sabedoria popular (mas hoje o povo-povo já nada ordena ou perante os sábios nada diz de jeito) que “quem semeia ventos, colhe tempestades”.
A observação dos frutos não pode ser apenas momento de lamentações, de condenações a torto e a direito, de procura inglória de bodes expiatórios.
É preciso que cada um tome cuidado do seu campo e que haja quem guarde o campo de todos… e que ninguém se omita.
António Marcelino
