Caos de libertinagem

1 – A terminar o seu discurso ao mundo da Cultura, no Centro Cultural de Belém, o Papa dizia: “A Igreja sente como sua missão prioritária, na cultura actual, manter desperta a busca da verdade e, consequentemente, de Deus; levar as pessoas a olhar para além das coisas penúltimas e porem-se à procura das últimas”.

É mais uma vez a insistência na procura da Verdade, que dá rumo a todas as buscas humanas, que dá sentido a todas as procuras de referências consistentes necessárias à edificação das pessoas, à construção das sociedades, à consolidação das civilizações.

2 – Um jornalista insuspeito, referindo-se precisamente a este combate permanente do Santo Padre pela afirmação das referências últimas contra o relativismo “dogmático”, apanágio da pretensão de modernidade, escrevia por estes dias que “o relativismo moderno não é apenas adversário do humanismo cristão – coloca também enormes desafios ao tipo de sociedades em que vivemos, livres e abertas porque baseadas num contrato de confiança entre todos os cidadãos que partilham um corpo de valores civilizacionais”.

3 – A dissolução, pelo relativismo, dos valores estruturantes da sociedade, deixa a selva, o vazio. Se eu sou a norma da verdade, como é possível concertar qualquer forma de convivência e construção comum? É que aquilo que, momentaneamente, possa parecer concertado não goza de qualquer estabilidade, não oferece qualquer espécie de continuidade, não permite qualquer forma de perspectivação do futuro: tudo ruirá no primeiro momento de reafirmação da “minha verdade”, da “tua verdade”…

4 – Se em todas as vertentes da vida pessoal e social é indispensável um qualquer “catecismo de referências”, na Educação ele torna-se o alicerce da sua própria possibilidade. É pela pessoa de cada um que passa o verdadeiro desenvolvimento. Mas ele só acontece em relação com os demais. E é nessa relação, essencial à pessoa humana, que reside a exigência das referências estáveis, que mais não são do que aspectos da Verdade, em convergência para a Verdade última.

O resto é demagogia “democrática”, que é como quem diz: anarquia de sentidos, confusão de sentimentos, vazio de inteligência e, em última instância, caos de libertinagem com rosto de “afirmação de liberdade”.