O que um “bom dia!” pode fazer dizer

Uma pedrada por semana “Sou muito feliz. Gosto muito de estar aqui. Bendita a hora que vim para esta casa!” Ouvi tudo isto, muito espontâneo, quando, a meio da manhã, dei os bons dias a uma senhora já idosa que saía do Lar onde vive. Deu o mote para a conversa que se seguiu.

“A senhora não tem família?” “Tenho filhos divorciados e netos que mal conheço”. “Porque não está com os seus filhos? Decerto que lhes tem amor…” “Qual é mãe que não tem amor aos filhos? Mas se eles não são capazes de cuidar dos seus filhos, com o podem cuidar da sua mãe? O meu marido era destas bandas. Encontrei aqui gente que me ama e cuida de mim. Dou graças a Deus porque vim para esta santa casa. Olhe, rezo pelos meus e que Deus os proteja”.

É um Lar de uma instituição da Igreja. A senhora não me conhecia, nem me ficou a conhecer. Não falou para me agradar. Tinha apenas vontade de desabafar e o meu bom dia abriu-lhe o coração. E este falou…

Na véspera eu tinha ouvido o Papa dizer: “No meio de tantas instituições sociais que servem o bem comum, próximas de populações carenciadas, contam-se as da Igreja”.

Já o sabia, desde há muito. Mas gostei de o ouvir. E de ouvir também uma mãe que sem deixar de recordar e de amar os seus filhos que não cuidam dela, encontrou quem a acolhesse e lhe desse alegria de viver. E – quem sabe? – de lhe enxugar também algumas lágrimas teimosas que o amor, a dor e a saudade por vezes não conseguem suster nem disfarçar.

A Igreja aprende sempre com as mães, mormente quando as acolhe com amor, as ouve com respeito e as conforta com carinho. Ela também é mãe…