Por iniciativa da câmara municipal A Casa do Major Mário Pessoa, frente ao Rossio, vai ser recuperada pela câmara municipal, entidade que, desde o ano 2000, é proprietária desse imóvel, considerado como o mais representativo edifício Arte Nova existente em Aveiro.
O custo previsto para a recuperação do imóvel é de seiscentos mil euros, dos quais, quinhentos mil reportam-se ao restauro dos materiais existentes, e cem mil a obras de raiz, de acordo com o projecto elaborado pelo arquitecto Mário Sarabando, tendo o IPPAR – Instituto Português do Património Arquitectónico aprovado o respectivo ante-projecto de restauro apresentado pela autarquia aveirense, uma vez que a Casa do Major Pessoa está classificado como imóvel de interesse público.
Como o imóvel apresenta graves vestígios de degradação, nomeadamente ao nível de infiltrações de humidade, salinização, fissuras nas paredes e cantarias, corrosão dos materiais (como ferros, gradeamentos, azulejos, canta-rias, soalhos, caixilharias e revestimentos), foi estabelecido um protocolo de colaboração com o Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro para estudo e caracterização das patologias e estabilidade do edifício.
A execução e coordenação do projecto de recuperação do imóvel está a ser efectuado na Divisão de Arquitectura e Paisagismo, integrado no Departamento de Projectos e Gestão de Obras Municipais da Câmara Municipal de Aveiro, em colaboração com a Divisão de Museus e Património Histórico da autarquia aveirense.
A importância dos revestimentos cerâmicos, com especial destaque para os painéis de azulejos, com motivos zoomórficos e vegetalistas, assinados por Licinio Pinto, datados de 1907, e executados na Fábrica Fonte Nova, justificam o aturado trabalho de restauro de que estão a ser alvo.
Ao contrário do que acon-tece com muitos edifícios “arte nova” existentes em Aveiro, na Casa Major Pessoa as relevantes manifestações artísticas não se limitam às fachadas exteriores, mas também se estendem ao seu interior. Por esse motivo, o projecto de restuaro apresentado pelo arquitecto Mário Sarabando prevê a manutenção, quase integral, do interior do rés-do-chão, do primeiro piso e ainda as duas pequenas saletas do sótão, os mais relevantes em termos arquitectónicos e de decoração interior. As maiores alterações ocorrerão no segundo piso e no sótão.
A Casa Major Pessoa foi concluída em 1907, constituída então por rés-do-chão, primeiro andar e sótão, in-cluindo as duas pequenas saletas. A autoria do projecto inicial ainda não está totalmente confirmada, mas pensa-se que seja de Silva Rocha ou de Ernesto Korrodi, ou até de ambos, o mesmo se passando com o projecto de ampliação do edifício, obra terminada em 1909.
A ampliação do imóvel, com a construção do segundo andar, teve a particularidade (que foi também uma inovação) das fachadas (da frente e das traseiras) do primeiro andar e do sótão terem sido desmontadas, para voltarem a ser repostas no segundo andar, enquanto que para o primeiro andar foram criadas novas fachadas, fazendo a interligação do piso térreo com o piso superior.
