Catequese familiar, um desafio urgente a assumir por todos

É importante começarmos a ver novos caminhos para a catequese. Há experiências muito interessantes na catequese familiar.

 

Todos nos queixamos do divórcio que existe entre a proposta que a Igreja faz às crianças e adolescentes em catequese e a resposta que a família e as próprias crianças/adolescentes dão.
Há uma queixa generalizada: ainda temos bastantes crianças em catequese, mas há uma cada vez maior ausência de crianças na Eucaristia ou celebrações eclesiais. A nossa oferta não corresponde às suas procuras.
Armando Mateo escreve: “A vida das novas gerações acusa um surdez geral a tudo o que diga respeito a Deus, à fé, á oração, à comunidade. Uma surdez que denota incredulidade, ou seja, uma ausência de antenas para aquilo que a Igreja é e realiza, quando vive e celebra o Evangelho”. E, mais adiante, o mesmo autor escreve: “As famílias atuais aprenderam a arranjar-se sem Deus e o mesmo ensinaram a fazer aos seus filhos…”
Outro autor afirma: “O vazio da presença dos pais depois do batismo é simplesmente espelho do nosso vazio de propostas”.
Como catequeta, penso que o problema atual está na família. Se queremos ser fiéis a Jesus Cristo, teremos que ir à raiz do problema, a família. Como?
Temos hoje que ser ousados e criativos e não repetitivos.
Há paróquias que têm muito poucas crianças, o que implica que se tenha que alterar o modelo de catequese: não uma catequese por grupos, mas uma catequese da comunidade, com a necessária presença dos pais.
Há paróquias que têm ainda bastantes crianças em catequese, mas uma ausência inquietante na Eucaristia.
Há experiências muito interessantes que estão a surgir, mesmo aqui na nossa Diocese. Atrevo-me a referir uma em que participei há dias. Fui celebrar a Eucaristia numa paróquia pequena da serra. A celebração era às 16h30. Logo que cheguei admirei-me pelo ambiente físico: uma Igreja cheia de crianças, ladeada por todos os pais e por muitos adultos. Uma Eucaristia com uma participação maravilhosa a partir da própria família. E quando, encantado, disse que iria convidar o grupo coral a vir à paróquia onde estou, logo ouvi um coro de pais responderem: “Mas o coro somos nós. Nós é que vamos”.
Parabéns à ousadia do pároco que acreditou! Parabéns aos pais que aceitaram o desafio. Parabéns à comunidade que fica mais rica com a participação de todos a começar pela família.
Para dialogarmos sobre este assunto da catequese familiar iremos ter um encontro aberto no dia 6 de novembro, no salão do Seminário de Aveiro, às 21h00. Podem participar sacerdotes, catequistas, pais, adultos…

 

P.e Joaquim Martins
Diretor do Secretariado de Educação Cristã