CNIS aplaude aumento de verbas do Governo mas diz que é insuficiente

Padre Lino Maia afirma que sobrevivência de algumas instituições solidárias está em causa, apesar da diminuição da carga fiscal.

A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) considera que o reforço das verbas do Estado para os carenciados e a melhoria do IVA e IRC para os organismos de apoio social são insuficientes para a sua sobrevivência.

O padre Lino Maia afirmou que não é este conjunto de alterações “que vai salvar a vida” das instituições, embora saliente que as medidas do Governo “são sinais de respeito” com o sector e manifestam o “reconhecimento da sua importância na resolução da crise”.

As instituições defrontam-se “com imensos problemas” porque “as famílias estão a diminuir significativamente as comparticipações e a pedir o aumento de apoios, devido ao endividamento e sobretudo do desemprego, que é assustador em muitas zonas”, sublinhou o responsável.

O Executivo de Pedro Passos Coelho decidiu fortalecer o Programa de Emergência Social em 230 milhões de euros e determinou a isenção do Imposto do Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) para as instituições particulares de solidariedade, que também serão beneficiados com a redução do IVA.

O Imposto sobre o Valor Acrescentado aplicado às obras que começarem a partir de 1 de Janeiro de 2012 vai ficar em metade da taxa máxima, ou seja, a 11,5 %, explicou o sacerdote, para quem as instituições de solidariedade “são uma almofada social” que constitui a “solução” e não o “problema”.

O memorando de entendimento do Estado com a “troika”, composta por representantes da União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, “previa o fim das isenções de tudo mas achou-se que era possível salvaguardar a posição das instituições de solidariedade, o que foi vantajoso”, declarou o sacerdote.

O padre Lino Maia, que no sábado, 12, participou em Fátima na assembleia-geral da CNIS, destinada à votação do programa e orçamento para 2012, disse que as alterações concretizadas pelo Executivo foram “difíceis de conseguir”: “Houve persuasão e muita compreensão do que fomos dizendo”.

O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, afirmou na sexta-feira passada no Parlamento que o Governo “confia” nas instituições de apoio social e rejeita “ir buscar receita fiscal a instituições sem fins lucrativos e a missões de emergência social”.

A este respeito, o presidente da CNIS frisou que é possível às instituições de solidariedade baixar as despesas caso sejam diminuídas as “exigências excessivas” e “exorbitantes” impostas pela legislação, que tornam o apoio social “mais difícil” e “desincentivam o voluntariado”.

“Há custos que poderiam ser perfeitamente evitados”, realçou o sacerdote, adiantando que um grupo de trabalho “está a rever toda a legislação, para que haja mais moderação do Estado em relação ao sector das IPSS”.

Ag. Ecclesia

Governo atento aos números

divulgados pela Caritas Portuguesa

O secretário de Estado da Segurança Social considerou preocupante o número crescente de famílias que pedem ajuda às instituições de solidariedade social, comentando os números divulgados este domingo pela Caritas Portuguesa. Marco António Costa afirmou que o Governo está atento aos problemas que “vão surgindo permanentemente na sociedade em termos de exclusão social”.

A Caritas alertou no domingo passado para o aumento do risco de pobreza para cada vez mais famílias, considerando que “com a falta de emprego e o número crescente de desempregados, a coesão familiar está em risco”. Nos primeiros dez meses de 2011, as Caritas diocesanas já atenderam cerca de 28 mil famílias portuguesas. “Os números são alarmantes porque correspondem a um acréscimo significativo em relação ao mesmo período do ano anterior”, indicam os membros da organização de solidariedade e acção humanitária da Igreja.