Co-responsabilidade – Três perguntas

Questões Sociais Os governos democráticos são, em geral, mais contestados do que os não democráticos. Acha-se tão enraizada a norma da contestação que, nos «media», se considera como pessoa isenta a que está contra o governo, qualquer que ele seja. As novas tecnologias de comunicação vieram aumentar consideravelmente a força contestatária; por essa via se difunde copiosamente a informação negativa sobre os governantes; e, com bastante facilidade, se propalam calúnias, deturpações da realidade e meias verdades erigidas em verdades absolutas. Deste modo instituíu-se o culto da irresponsabilidade generalizada: consideram-se os governantes e outros políticos responsáveis por todo o mal colectivo, enquanto os governados se apresentam como vítimas inocentes, podendo enlamear impunemente quem os governa.

Num esforço de auto-responsabilização, talvez se justificasse fazermos algumas perguntas a nós próprios. Realço apenas três, começando por esta: que medidas políticas tomaríamos se fôssemos nós os governantes? – Note-se que a resposta implica não só o enunciado da medida mas também a sua fundamentação, a quantificação, a viabilidade financeira e política; esta última implica a concordância da maioria parlamentar.

Segunda pergunta: o que temos feito para influenciarmos os governantes a favor de medidas correctas? – Note-se que a influência implica não só a proclamação de princípios e a defesa de propostas vagas mas também, e sobretudo, a interligação dos princípios e realidades, a formulação de propostas consistentes e a acção sistemática junto dos poderes públicos.

Terceira pergunta: como se podem organizar os católicos para uma acção sistemática a favor do bem comum? – Parece fundamental o diálogo laical sociopolítico, visando os quatro objectivos referidos no artigo anterior: a clarificação da base doutrinária comum; o apoio de rectaguarda ao compromisso nas «realidades terrestres; a eventual obtenção de consensos; e, sobretudo, a prática da comunhão fraterna. Atendendo ao pluralismo dos leigos, é muito natural que não se atingam muitos consensos acerca das soluções concretas dos problemas sociopolíticos; mas o diálogo pode contribuir para o reforço da comunhão entre todos, quaisquer que sejam os respectivas posições de natureza política, laboral ou de outra natureza.