Estádio Municipal Mário Duarte recebe últimos retoques De repente, os nossos olhos deram de caras com uma multidão garrida, alegre, entusiasmada com os golos do Beira-Mar. De um outro lado, ouviam-se os habituais apupos ao árbitro e gritos de incitamento à equipa que estava a perder. Foi no sábado, depois de atravessarmos as cercanias do estádio MÁRIO DUARTE, onde camiões e máquinas circulavam, apressados, debaixo de chuva, para oferecerem aos aveirenses a nova “Catedral” do futebol, que tivemos essa visão há tanto tempo não experimentada, com os pés bem assentes num campo ainda por estrear.
Quando pisámos a relva que acabara de receber adubo para engrossar, olhámos, de relance, as bancadas multicolores e arrumadas, e a sensação de um estádio cheio como um ovo de gente que vibra com o desporto-rei, capaz de rir e de chorar com as vitórias ou derrotas, iluminou-nos a retina. O MÁRIO DUARTE é uma obra bonita, com a harmonia dos traços arquitectónicos a ser enriquecida por uma profusão de cores que não cansam, antes emprestam aos jogadores e espectadores leveza e alegria, que muita falta fazem nos tempos de hoje, em tantos sectores da vida.
Dali, do relvado já bastante verdinho, a cicerone, Mafalda Leite, foi mostrando o que era possível ver de fora: Camarote presidencial (o maior, com capacidade para 80 lugares sentados), camarotes-prestígio e camarotes-empresa, estes, obviamente, para gente com posses e para firmas comerciais ou industriais que podem investir em publicidade. Lá estava, também, a área reservada à comunicação social, já com as ligações preparadas para os jornalistas mostrarem ao mundo o que no MÁRIO DUARTE acontece em cada partida de futebol.
Quem conhece o velhinho campo do Beira-Mar, que inúmeros momentos de glória, mas também de tristezas, deu às gentes de Aveiro e arredores, vai encontrar no novo estádio um ambiente totalmente diferente. O complexo não é apenas um campo de futebol. Ali vai nascer, nos amplos corredores que o circundam interiormente, um outro centro comercial, onde nada faltará para as famílias poderem passar momentos de convívio e lazer. Lojas e mais lojas, restaurantes e diversões vão ocupar espaços que oferecem panorâmicas inusitadas, com o IP5, sempre agitado, a mostra-se de um ângulo raro.
A entrada no estádio já cumpre preceitos impostos pelas instâncias do Futebol Internacional, com rigoroso controle para evitar a “candonga” de bilhetes falsos, ao mesmo tempo que canaliza os espectadores para os diversos sectores. Tudo será feito com rigor, peso e medida, numa tentativa de educar para a cidadania.
Alguém perguntava na visita, que só poderá ser feita por inscrição na Câmara Municipal de Aveiro, se o povo estará preparado para merecer esta prenda tão digna da cidade e região. “Se não está, tem de se preparar para isso; o estádio é de todos, mas todos têm de cuidar dele”, respondeu um visitante ao nosso lado.
A visita levou-nos aos balneários, modernos, com zonas de aque-cimento para os atletas, sauna, gabinetes médicos e de testes de “doping”. Passámos pela área dos árbitros, dos treinadores e delegados ao jogo. Vimos a sala de conferências de imprensa, onde os treinadores justificam as vitórias e as derrotas, mostrando que são ou não desportistas, na aceitação da alegria e da tristeza sempre com dignidade.
Dirigentes, jogadores e demais intervenientes no espectáculo têm acessos reservados, parque de estacionamento e áreas de convívio próprios. As mesmas regalias terão os convidados e entidades, os “vips” que nunca faltam nestes ambientes. O povo, no entanto, também terá as suas comodidades, como nunca as teve, até hoje, em Aveiro.
A iluminação e o som estão preparados e à espera dos últimos testes, os ecrãs gigantes vão ser instalados em breve, ficando suspensos do gradeamento superior do MÁRIO DUARTE, os restaurantes e as lojas virão logo que possível, os parques de estacionamento estão em fase de acabamento e o terminal de camionagem, com zona comercial anexa, está programada para oferecer conforto aos visitantes.
O moderno estádio, uma aposta da Câmara Municipal de Aveiro e do Governo, afinal, por aquilo que vai proporcionar aos aveirenses, e não só, não é um banal campo de futebol, mas um sonho que se torna realidade e que vai ser usufruído pelos amantes da bola e por todos os que precisarem de descarregar o “stress” do dia-a-dia.
Para sentir tudo isto, no dia 15 de Novembro, às 21.15 horas, na inauguração, Portugal vai defrontar a Grécia. A presença dos aveirenses, em peso, será a melhor prenda para quem tanto apostou nesta obra, que é, de facto, de per si, um espectáculo.
