Direitos Humanos A 8 de dezembro de 1967, o Papa Paulo VI escrevia uma mensagem dirigida “a todos os homens de boa vontade” onde exortava à celebração do “Dia da Paz”, que deveria acontecer a 1 de janeiro de 1968.
A partir de então, anualmente, no primeiro dia do ano, todos os Pontífices que lhe sucederam, à excepção do curto pontificado de João Paulo I, têm escrito uma mensagem a propósito dessa celebração. Os textos porém, não se têm resumido a divagações filosóficas sobre a Paz. Longe disso, as mensagens que, com este ano, se contam em número de 45, têm-se servido de boas análises de conjuntura social para propôr reflexões pertinentes e atuais no sentido de se entender que o conceito de Paz é bastante mais lato do que a ideia simplista de “ausência de guerra”.
Em 2012, a reflexão de Bento XVI para o XLV Dia Mundial da Paz, centra-se em torno de “Educar os Jovens para a Justiça e a Paz”. Na verdade, não se trata de um tema novo. A Doutrina Social da Igreja, sobretudo a partir dos escritos do Papa João XXIII e dos documentos do Concílio Vaticano II, realça não só a busca permanente da Justiça e da Paz, como também a necessidade de educar para esses dois valores tão essenciais. Mas o que o Papa faz, nesta mensagem, é recuperar a temática e salientar a responsabilidade social de incutir, nos mais jovens, como é urgente concretizar a Justiça e a Paz no Mundo.
Aliás, já na última Jornada Mundial da Juventude, em Madrid, Bento XVI tinha apelado ao protagonismo das novas gerações na prossecução de um mundo mais justo e pacífico. Agora, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2012, o Bispo de Roma relança o mesmo desafio com um caráter mais universal que o Conselho Pontifício Justiça e Paz, a quem cabe a responsabilidade de dinamizar as celebrações do Dia, resume na urgência de “escutar e valorizar as novas gerações na realização do bem comum e na afirmação de uma ordem social justa e pacífica, na qual possam ser plenamente manifestados e realizados os direitos e liberdades fundamentais do ser humano”.
Não me deterei muito sobre o conteúdo que já aqui foi publicado na íntegra (Cf. último número do Correio do Vouga), porém não posso deixar de destacar a preponderância que tem esta mensagem nos dias que correm.
Fazendo a retrospectiva do ano que agora finda, teremos que reconhecer que muitas das transformações (ou pelo menos das propostas de transformação) que ocorreram na geopolítica universal tiveram como protagonistas os jovens. Basta recordar as manifestações pela democracia – a chamada “primavera árabe” – nos países do norte de África ou os movimentos de “indignados” um pouco por todo o mundo ocidental, de Madrid a Wall Street.
Nas praças e ruas, têm sido os jovens a fazer-se ouvir e, pela força da razão dos seus ideais, líderes autoritários caíram e estruturas político-financeiras têm tremido. Torna-se imperativo apoiar esses movimentos de transformação. Somar vozes às suas reivindicações e dar força às ideias de renovação da democracia que eles propõem.
Claro está que alguns (chamemos-lhes céticos) recusam apoiar esses movimentos, alegando que os mais novos apenas querem “mudar por mudar” a ordem que está estabelecida. Porém, termino regressando à reflexão do Papa, onde fica claro o apelo a que se escutem os anseios e aspirações dos jovens, mas também se alerta para a responsabilidade da sociedade em geral na educação das novas gerações. (E aqui intervimos todos!) Ninguém se pode omitir neste processo: governantes, educadores, instituições sociais e religiosas, meios de comunicação social e, sobretudo, as famílias. Para isso, a mensagem explícita que há pilares essenciais que promovem a eficácia da Educação para a Paz: a verdade, a liberdade, a justiça e o amor. Estes são, efetivamente, os alicerces que deveremos promover nos mais jovens, para que a luta pela Paz seja consequente.
Agora, educar a juventude para a Justiça e a Paz implica que todos vivamos, com autenticidade, esses valores. Caso contrário, o nosso exemplo nunca cativará os mais novos e poderemos até tolher, irremediavelmente, as esperanças de um futuro melhor que eles habitualmente trazem na voz e no seu olhar.
