Como é o trabalho decente?

Dez palavras-chave sobre a “Caritas in Veritate” O trabalho e os problemas adjacentes (desemprego, sindicatos, salários, direitos, greve…) estão no âmago da Doutrina Social da Igreja. A DSI, estruturada, nasceu por causa dos problemas laborais da revolução industrial. A questão assumiu novos contornos, mas continua na ordem do dia. Bento XVI aborda-a principalmente nos números 63 e 64 da “Caritas in veritate”, no contexto do desenvolvimento, deixando três ideias principais: a pobreza está relacionada com a “violação da dignidade do trabalho”; é preciso trabalho decente; as organizações sindicais têm de adaptar-se.

Sobre o primeiro ponto, o Papa afirma que “em muitos casos, os pobres são o resultado da violação da dignidade do trabalho humano” no desemprego e no subemprego e ainda na desvalorização dos direitos.

Interroga-se depois sobre o que é a “decência” aplicada ao trabalho? Vale a pena citar, apesar de ser um trecho grande: “[Decência] significa um trabalho que, em cada sociedade, seja a expressão da dignidade essencial de todo o homem e mulher: um trabalho escolhido livremente, que associe eficazmente os trabalhadores, homens e mulheres, ao desenvolvimento da sua comunidade; um trabalho que, deste modo, permita aos trabalhadores serem respeitados sem qualquer discriminação; um trabalho que consinta satisfazer as necessidades das famílias e dar a escolaridade aos filhos, sem que estes sejam constrangidos a trabalhar; um trabalho que permita aos trabalhadores organizarem-se livremente e fazerem ouvir a sua voz; um trabalho que deixe espaço suficiente para reencontrar as próprias raízes a nível pessoal familiar e espiritual; um trabalho que assegure aos trabalhadores aposentados uma condição decorosa” (do n.º63). Neste sentido, lembra o apelo de João Paulo II, no Jubileu dos Trabalhadores, para “uma coligação mundial em favor do trabalho decente”.

Sobre os sindicatos, Bento XVI nota que a Igreja sempre os encorajou e pede-lhes que se abram às “novas perspectivas que surgem no âmbito laboral”. Em concreto: superem as limitações dos sindicatos de categoria abrindo-se a novos problemas, passando da pessoa-trabalhadora à pessoa-consumidora; voltem o seu olhar para os não-inscritos; voltem-se para os tra-balhadores dos países em vias de desenvolvimento; mantenham-se separados da política.

Bento XVI, certamente tendo subjacentes os ensinamentos da “Laborem exercens” (em resumo: o trabalho é digno é bom para o ser humano; é colorar com Deus), lembra que também o espírito empresarial é trabalho (n. 41).

J.P.F

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