Joelhos que rezam

Poço de Jacob – 31 Hoje, não sabemos bem porque se espalha em algumas comunidades, por influência francesa, talvez, a ideia de cumprimentar Deus, o sacrário ou o altar só com uma inclinação de cabeça.

A genuflexão, para muitos, deixou de fazer sentido, e temos medo de ser retrógrados se colocamos os joelhos no chão diante do SS.mo exposto, quando não há nada na Igreja que o proíba ou oriente noutra linha. Pelo contrário, o ajoelhar-se aparece contemplado nas recomendações da Igreja de ontem e de hoje. Os cristãos dos primeiros tempos prostravam-se como fazem hoje os muçulmanos, que assimilaram das comunidades cristãs o jeito de rezar que ainda hoje encontramos em igrejas cristãs do Egipto, por exemplo. O descalçar-se ainda se usa na Igreja copta (no Egipto). Alguém disse uma vez que o homem nunca é tão grande como quando se ajoelha. Ninguém pode impedir um católico de se ajoelhar na consagração do Pão e do Vinho. Temos narrações admiráveis de grandes homens do mundo da ciência que se converteram quando viram alguém fazer uma genuflexão bem feita, ao descansarem na fresquidão da igreja de uma grande cidade, numa tarde de Verão intenso. Mas, verdadeiramente, também sabemos que a atitude interior é o que conta. E temos de estar, como os Anjos do Céu, como nos dizem os livros bíblicos, sempre prostrados ante o Senhor. Sabemos que, quando alguém chegava perto de Jesus, sempre se prostrava diante Dele. E que o significado da prostração é o de aceitarmos, incondicionalmente, a vontade de Deus a nosso respeito. E tudo isto, em gestos que formam e educam, em atitudes que informam estes gestos. São a terceira coisa importante para fazermos missão. Sabemos ainda que, diante de um irmão de pés sujos e gretados, a nossa atitude é a de nos ajoelharmos para lhe tratar dos pés. Que diante do pobre e da criança, da flor e do gatinho, nos curvamos, porque é aí que mostramos a nossa grandeza. Quem se humilha será exaltado.

Ninguém pode ser missionário se pensa que transmite algo seu. Levamos mensagem de Outro para os outros. Porque ser missionário é ser servidor. Por isso, o missionário não busca reconhecimento, gratidão, exaltação ou prémios. Entende que pode ser perseguido, caluniado e morto pelo Evangelho. Que é servo inútil. Que pode ser substituído com facilidade. Que sempre aprende com os outros e é sempre o primeiro a ser evangelizado. E tudo isto só se aprende… de joelhos, diante do Mestre para lhe bebermos a vida e o exemplo, a missão e a sorte, e compreendermos que se não nos ajoelhamos diante dele e da Sua vontade, não somos enviados. Pelo contrário, corremos o risco de correr em vão e de vender o nosso peixe que nunca alimentará multidões. Nem matará a sede das samaritanas do nosso tempo.

P.e Vítor Espadilha