Ministro entrega diplomas e computadores e pergunta: “A vida dos políticos tem os seus quês. Mas há coisas que valem mesmo a pena, como esta que acabámos de fazer”, disse Manuel Pinho, ministro da Economia e da Inovação, após entregar diplomas a 74 adultos que concluíram o processo de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências, que lhes dá equivalência ao 9.º ano, e 20 computadores portáteis com ligação à Internet a outros tantos adultos que iniciaram a fase seguinte do processo de qualificação. A cerimónia decorreu no Centro de Formação Profissional de Aveiro, na tarde de sábado, e em mais 16 centros por todo o país.
Num tom descontraído e próximo (lembrou as origens familiares em Espinho e São João da Madeira e perguntou se havia na assembleia algum “Manuel Pinho”), o ministro disse estar a viver “um dia verdadeiramente gratificante” e perguntou: “Como é que antes não se dava importância à formação?” “Andávamos distraídos. O que é verdadeiramente importante é apostar na formação. Isto é parte do Plano Tecnológico”, adiantou, revelando que há três anos mal sabia mexer num computador.
Falando enquanto director do Cento Novas Oportunidades do Centro de Formação Profissional de Aveiro, Luís Costa Santos afirmou que o país espera reconhecer competências a um milhão de activos, até 2010, e explicou o processo pelo qual passaram os que no sábado receberam o diploma: depois de inscritos, submeteram-se a um diagnóstico, que os levou a um dos caminhos: ou reconhecimento por um júri das competências adquiridas ao longo da vida ou acções de formação. No final, a certificação equivalente ao ensino básico obrigatório e, numa fase posterior, ao 12.º ano, o nível que o governo pretende como “referencial mínimo de qualificação”.
Na cerimónia, Wu Kim Ah Lima, mecânico asiático de origem moçambicana, deu testemunho de como, “desde que exista vontade para aprender e vencer”, “não há barreiras de idade, sexo ou conhecimentos anteriores”.
Centros
Novas Oportunidades
Há em Portugal 269 Centros Novas Oportunidades (CNO), onde até agora se inscreveram 250 mil adultos. Os CNO, funcionando em agrupamentos de escolas, escolas secundárias, centros de formação profissional e associações empresariais e em outras entidades, destinam-se a maiores de 18 anos, que não tenham concluído, na devida altura, o ensino básico ou o ensino secundário e que procurem aumentar o seu nível de qualificação.
Computadores
a preços acessíveis
A entrega de portáteis a 20 formandos faz parte da iniciativa mais alargada, que pretende generalizar a informática e o acesso à Internet a preços reduzidos. Os formandos dão de entrada 150 euros e pagam 15 euros por mês durante um ano. Como condições, não podem desistir da formação, nem vender o computador no prazo de três anos.
Podem ter acesso aos computadores: alunos do 10.º, professores do ensino básico e secundário e formandos inscritos nos Centros Novas Oportunidades. Mais informações: www.eescola.net.
