Comprometer-se com a esperança

Documento da Comissão Nacional Justiça e Paz A Comissão Nacional Justiça e Paz, em comunicado recente, fez-se eco do documento dos nossos Bispos, a propósito do próximo acto eleitoral. Telegraficamente, vamos sublinhar o que se nos afigura relevante, como contributo para sublinhar a importância do acto, a exigência do debate, a necessidade de participação.

As eleições são fundamentais na vida democrática. Todos temos responsabilidade na procura do bem comum. Abster-se é cinismo; alinhar em messianismos é leviandade. Atitude correcta é: analisar o modo como vivemos, as escolhas que fazemos, as prioridades que colocamos no horizonte.

Uma proposta eleitoral honesta não se limita a apresentar soluções para a crise. Encara os problemas de fundo; afere as potencialidades reais do país; propõe soluções credíveis.

Cabe a todos e cada um de nós forçar dirigentes partidários, candidatos e comunicação social, a que não distanciem as pessoas, nem iludam, mas garantam e exprimam a qualidade das propostas. Alhear-se do que respeita ao bem comum, não se empenhar por uma sociedade mais justa, é perder o respeito a si próprio e negar o amor fraterno.

Para o cristão, sem anular o legítimo pluralismo de opções políticas, o critério de avaliação é o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja. Isto reclama dos cristãos um aturado discernimento, só possível quando se é consciente na vida, se desenham sonhos de futuro, em comprovada existência solidária. Só quem decididamente se compromete tem direito à crítica.

Não há cidadãos dispensáveis: na militância política, nos fóruns de discussão… Mas sobretudo na firmeza da esperança, no fazer bem, na partilha com os demais, no estabelecimento de cooperações, na dedicação exemplar. O contributo indispensável terá de ser na perspectiva de uma comunidade nacional solidária.

O Portugal desenvolvido constrói-se, sempre e só, quando preside a todas as iniciativas o serviço da dignidade humana, o respeito e promoção dos direitos fundamentais da pessoa – que moldam direitos e deveres sociais! E isto acontece pela mediação: da recta gestão das empresas e aplicação dos rendimentos, da inovação, da atenção aos mais pobres, da melhoria das relações de trabalho, das relações inter-pessoais, como da aplicação ao serviço, do empenho em criar “riqueza”, da valorização e incentivo público a todos os que assim fazem.

A comunicação destas “experiências de sucesso”, destes esforços em prol de um futuro de esperança, desanuviará os rostos angustiados, esquecidos, marginalizados. São estes gestos fraternos que tornarão visível o infinito amor de Deus por nós, que creditarão a realidade da tenda de Jesus Cristo erguida no meio dos homens, a Sua entrega por nós, gerando, pelo Espírito, dinamismos novos, capazes de contagiar outros. “Vede como eles se amam” – é o princípio sempre válido na evangelização.

Querubim Silva