Concluído curso para melhorar os serviços paroquiais

Fazer um inventário das peças de arte de uma Igreja. Acolher bem uma mãe que vem matricular o seu filho na catequese. Saber preencher um formulário do cartório paroquial. Estes foram alguns dos objectivos do Curso de Acolhimento Pastoral que terminou na sexta-feira passada, no ISCRA, com a entrega de diplomas.

No curso, que teve como for-madores Pe Manuel Cartaxo (“Cartório e arquivo paroquial”), Monsenhor João Gaspar (“Inventário do Património Artístico”) e Victor Marques (“Acolhimento e atendimento pastoral), participaram 40 pessoas de quase todos os arciprestados da diocese, ao longo de onze semanas, num total de 33 horas. No encerramento, D. António Marcelino realçou que, após esta formação, os participantes “devem estar mais sensíveis, mais atentos e mais abertos para a acção pastoral fundamental do acolhimento”, para as actividades cartoriais e para o “inventário artístico do património histórico que nos legaram”.

Daniel Amaral, 28 anos, foi um dos participantes do curso. Para este colaborador da paróquia de Ouca (Vagos), onde é catequista, ministro extraordinário da Comunhão e preside a Celebrações da Palavra num lar de idosos, foi muito importante aprender as noções básicas do acolhimento. “Uma pessoa pode dirigir-se à igreja para pedir o baptismo [para um filho], e essa pode ser a oportunidade para desabafar”, diz. Quem acolhe “tem de saber ouvir e guardar o que ouviu”, acrescenta. Outros aspectos que realça dizem respeito ao património: “Não sabia que as igrejas devem ter uma relação dos bens e que nem sempre se deve pintar uma imagem no seu restauro. Pode ficar desvalorizada”. Maria Manuela Costa, 58 anos, de Albergaria-a-Velha, sublinha o mesmo aspecto: “É melhor respeitar o antigo. Restaurar [uma imagem] não é tapar todos os buracos”. E confessa que “gostava de aprender técnicas de restauro”.

Na sequência deste curso, que teve muito boa aceitação, o ISCRA planeia outros especialmente dirigidos às paróquias. Um deles deverá centrar-se na informatização da paróquia.

Ignorância leva a desprezo pelo património

A sensibilização para a arte religiosa e o património cultural foi uma das componentes do curso. “Sem a formação das pessoas não se dá apreço ao património”, escreveu Mons. João Gaspar, nos apontamentos que entregou aos participantes do curso. Em declarações ao Correio do Vouga, o vigário geral da diocese chamou a atenção para o cuidado que é necessário ter com os bens móveis e imóveis da Igreja e referiu alguns erros. “Por vezes pensa-se que uma peça não tem valor nenhum, quando, afinal, é do séc. XVIII”, disse, lembrando que já encontrou uma imagem da Santíssima Trindade e outra de S. Pedro, ambas do séc. XV, no lixo. Outro erro, mais frequente, diz respeito à valorização dos utensílios litúrgicos. As pessoas tendem a dar mais valor a um cálice ou a uma custódia barrocos, por serem mais trabalhados, quando as peças renascentistas, mais simples, são, normalmente, mais valiosas.