Questões Sociais Viu-se, no artigo anterior, que não se vislumbram soluções para a crise. Perante isso, contestam-se o Governo e a «Troika» porque, alegadamente, nos condenam ao empobrecimento ilimitado – isto é à «morte lenta»; e os contestatários condenam-nos à bancarrota – isto é, à morte imediata, na medida em que não apresentam propostas consistentes. No entanto, existe um caminho de solução que, segundo o Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, consiste na «busca do bem comum de toda a sociedade»; trata-se de «um caminho para construir a unidade de objetivos, no respeito das diferenças: governo e oposição…» e outras entidades (n.º 3 do documento publicado, pelo CV, em 19 de setembro último). Sublinhe-se que, tratando de um «caminho», ele não contém respostas para a crise, mas tão só um processo de procura de soluções. Neste realça-se o papel do diálogo, que a doutrina social da Igreja consagrou há muito (cf., em especial, a encíclica de Paulo VI «Ecclesiam Suam», nºs. 81-82). À luz desta doutrina, o diálogo é cooperante e traduz-se, além do mais, no respeito mútuo, na procura efetiva de soluções, na persistência e na gradualidade.
O respeito mútuo implica o reconhecimento da igual dignidade de todos os participantes, bem como da identidade de cada um. A procura de soluções, para os diferentes problemas que nos afligem, constitui a atividade básica e permanente do diálogo cooperante, embora sejam naturais a crítica e a defesa de interesses próprios. Precisamente, essa crítica e a divergência de interesses requerem uma persistência inquebrantável, sem demissões; mesmo que surjam dificuldades consideradas intransponíveis e mesmo que alguns participantes no diálogo não compareçam assiduamente ou se afastem ou atuem de maneira incorreta, impõe-se não interromper o processo entre os que permanecem; e impõe-se igualmente um esforço resoluto de reaproximação e normalização de quem se afastou dos padrões recomendáveis. Por fim, a gradualidade convida-nos à concretização dos avanços possíveis, mesmo provisórios, e a não desistir das soluções mais adequadas.
