Nota Pastoral dos 500 anos do nascimento de São Francisco Xavier – 1ª parte Iniciaram-se no domingo, 4 de Dezembro, dia litúrgico de S. Francisco Xavier, as comemorações do V Centenário do nascimento do “Apóstolo do Oriente”. A Conferência Episcopal Portuguesa associou-se às celebrações anunciadas, e escreveu uma Nota Pastoral que o Correio do Vouga publica hoje e nas duas próximas semanas.
Consagrado como o “Apóstolo do Oriente”, proclamado “Padroeiro das Missões” (Pio X, em 1904), São Francisco Xavier foi reconhecido por João Paulo II como “o apóstolo mundial dos tempos modernos” e apontado como exemplo para os missionários e para a acção evangelizadora da Igreja.
Este navarro, que se considera “português de coração”, partiu para o Oriente, a pedido do Rei de Portugal, D. João III. Mais tarde, confirmará ao mesmo Rei que, sem as naus e a ajuda dos portugueses, jamais poderia realizar a missão evangelizadora, para a qual se sentia tão motivado pela graça de Deus.
Celebrar o V Centenário de Francisco Xavier, ilustre fundador da Companhia de Jesus, renovará nas comunidades cristãs a busca confiante da vontade do Pai, o zelo apaixonado pelo Reino inaugurado por Cristo e a responsabilidade de todos na actual largueza da missão impulsionada pelo Espírito Santo.
1. A vontade de Deus motiva a fé e a confiança.
O grau de fé e confiança em Deus, demonstrado por Francisco Xavier, foi crescendo continuamente, a par do espírito de oração, num esforço diário por conhecer a vontade de Deus e por cumpri-la da forma mais perfeita possível.
Desde a conversão, ocorrida enquanto estudante e professor em Paris (1526-1536), criou disponibilidade para cumprir o plano de Deus. A decisão da sua missão para a Índia foi-lhe dada a conhecer apenas vinte e quatro horas antes da partida: tinha que substituir um companheiro cuja doença se prolongava. Tratava-se de uma viagem de alto risco de vida, com a duração de mais de um ano. Francisco obedeceu prontamente, pois estava seguro que aquele caminho da obediência era a perfeitíssima vontade de Deus.
Vindo para Portugal, recebeu a 7 de Abril de 1541, dia do seu 35.º aniversário, as cartas em que era nomeado Embaixador do Rei de Portugal, representante do Papa e Administrador Apostólico para todo o mundo cristão no Oriente (descoberto ou a descobrir), à excepção do Bispado de Goa, já existente naquela altura. Orientava-o apenas a correspondência ao desígnio de Deus, para o cumprir, com um espírito de fé que afronta os perigos dos mares.
Mais tarde, após cerca de um ano de experiência na Índia, sentirá a ansiedade das grandes incertezas do futuro. O contraste de civilizações tão diferentes que ia encontrando, e, numa expressão sua, “o medo de ter medo”, orientaram-no, como reacção e vencimento próprio, para o valor da confiança absoluta em Deus. Será a dimensão mística da sua missão, como experiência de alegria, sentida no meio das tormentas e perigos mortais, que o lançará nos braços de uma confiança total no Deus que o chamou àquele serviço.
Qualquer acção evangelizadora deverá partir da descoberta de um apelo de Deus, ao qual o cristão se sente atraído e lhe surge como determinante forma de realizar a sua missão no mundo. As dificuldades e condições adversas não justificarão uma indecisão, mas constituem terreno onde semear, com fortaleza, as convicções nascidas do encontro com a vontade de Deus.
