Marcados pela alegria

À Luz da Palavra – III Domingo do Advento – Ano B As leituras deste domingo lançam-nos um apelo a viver na alegria, fruto do Espírito Santo, agindo em nós, porque Deus tem um projecto de salvação e de vida plena para nos propor e para nos fazer passar das nossas «trevas» à sua «luz» admirável.

Na primeira leitura, Isaías afirma-nos, de maneira convincente, que Deus tem um projecto de salvação para oferecer ao seu Povo, especialmente aos pobres, isto é, a todos aqueles que vivem numa situação insuportável de privação de bens essenciais, de dignidade, de liberdade, de justiça, de vida. A missão deste profeta é de anunciar um tempo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, um tempo de salvação. O Deus em quem acreditamos, diz o profeta, não é um Deus indiferente, que pactua com o racismo, a exclusão, a violência, a exploração, o terrorismo. Mas é um Deus que ama cada pessoa explorada e injustiçada, que está do lado dos que sofrem e que dá aos pequenos, aos marginalizados, aos excluídos, a força para vencer o desânimo, a miséria, as forças da opressão e da morte. A descoberta do amor e da presença libertadora de Deus não pode senão conduzir-nos ao louvor, à adoração, à alegria. Sou grato/a ao Senhor pela sua presença amorosa, salvadora e libertadora, na vida do mundo e na minha própria vida?

O evangelho apresenta-nos João Baptista, a «voz» que prepara as pessoas para acolher Jesus, a «luz» do mundo. João não pretende atrair a atenção dos ouvintes sobre si próprio, mas pretende levá-los a acolher e a «conhecer» Jesus, «aquele» que o Pai enviou com uma proposta de vida definitiva e de liberdade plena para todas as pessoas. A «voz», através da qual Deus fala, convida-nos a olhar para Jesus, pois só Ele é a «luz» e só Ele tem uma proposta de verdadeira felicidade. Os nossos ouvidos andam atordoados com propostas de felicidade radicalmente passageira, que nos seduzem e manipulam, e acabam por nos deixar frustrados e infelizes, mais angustiados e perdidos. João assegura-nos que só Jesus é a «luz» que nos liberta da angústia existencial e nos oferece a vida verdadeira e definitiva. Que significados assumem no meu dia a dia as propostas de Jesus?

Na segunda leitura, Paulo explica aos cristãos da comunidade de Tessalónica a atitude que é preciso assumir enquanto esperam o Senhor que há-de vir. Pede-lhes que sejam uma comunidade «santa» e irrepreensível, isto é, que vivam alegres, em atitude de louvor e de adoração, abertos aos dons do Espírito e aos desafios de Deus. A existência cristã é uma caminhada ao encontro do Senhor que vem. Na sua peregrinação pela história, mergulhados na alegria e na tristeza, no sofrimento e na esperança, os crentes não podem perder de vista essa meta final, que dá sentido a toda a caminhada. O cristão é alegre, porque sabe para onde caminha e está certo de que no final encontra o colo amoroso do Pai/Mãe que o acolhe e o conduz para a felicidade plena. Nem os sofrimentos, nem as incompreensões, nem as perseguições podem extinguir essa alegria serena de quem confia no Senhor. É essa alegria e essa paz que marcam a minha existência e que brilham nos meus olhos?

Leituras do III Domingo do Advento – Ano B: Is 61,1-2a.10-11; (Salmo) Lc 1,46-48.49-50.53-54; 1 Tes 5,16-24; Jo 1,6-8.19-28

Deolinda Serralheiro