Revisitando o Vaticano II Celebramos amanhã a festa da Imaculada Conceição. É mais uma forma de reconhecer a excelência da criatura que a Virgem Maria, o seu valor na história da salvação e o seu significado na vida da Igreja e de cada um de nós cristãos.
O Concílio Vaticano II não produziu nenhum documento sobre Nossa Senhora, ainda que essa fosse a vontade de muitos Padres conciliares. Mas teve uma intuição muito mais significativa: introduziu a consideração da sua pessoa no mistério de Cristo e da Igreja, dedicando-lhe um capítulo na Constituição Lumen Gentium.
Na verdade, o capítulo VIII ajuda-nos a perceber que a dignidade, a missão de Maria, resultam do seu lugar na economia da salvação, da sua relação com a Igreja e no interior dela, determinando, desse modo, a verdade do seu culto.
“Imagem e primícias da Igreja, que há-de atingir a sua perfeição na vida futura, assim também, já agora, na terra, enquanto não chega o dia do Senhor, ela brilha, como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do povo de Deus peregrino” – LG 68. Beneficiando em plenitude, por antecipação, da obra redentora do seu Filho, a Virgem Maria é garantia realizada da vida plena para a qual caminhamos. E sabemos que podemos contar com ela, como exemplo, como estímulo e como apoio.
“Concebendo Cristo, gerando-O, alimentando-O, apresentando-O no templo ao Pai, sofrendo com o seu Filho que morria na cruz, ela cooperou, de modo absolutamente singular, pela obediência, pela fé, pela esperança e pela caridade ardente, na obra do Salvador, para restaurar a vida sobrenatural nos homens. Por tudo isto, ela é nossa Mãe na ordem da graça” – LG 61.
É a relação ímpar de Maria com Jesus Cristo – Sua verdadeira Mãe – que configura a sua qualidade de primícia da Igreja e a sua relação maternal com todos nós. Daí que o Concílio nos incite a que nos lembremos de que, em relação a Maria, “a autêntica devoção não consiste num sentimento estéril e passageiro, nem numa espécie de vã credulidade, mas procede da verdadeira fé, que nos leva a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, nos incita a um amor filial para com a nossa Mãe, e nos estimula à imitação das suas virtudes”. – LG 67.
A ocasião desta festa poderia ser o motivo para todos relermos com atenção estes parágrafos do Concílio, em ordem a uma mais clara percepção do valor de Maria, em ordem a uma atitude esclarecida de verdadeiro amor a Maria. Q.S.
