Conhece Maya Hoogveld?

Memória CV – Há 50 anos Ao desfolhar o Correio do Vouga de há 50 anos, de Agosto de 1955, portanto, surge uma entrevista com “Mademoiselle Maya Hoogveld”. Entrevista muito curiosa. Diz-se que a senhora estava instalada no “Arcada Hotel” e que era uma professora muito interessada por Portugal, “lendo os nossos clássicos e românticos”. Interrogada pelo jornalista (não identificado) do CV, a holandesa diz que passeou pela Ria de Aveiro e que admirou “esse heróico barqueiro que corta as águas em todos os sentidos, entregue à faina da recolha do moliço”, com todos os “predicados excelentes do trabalho e da franqueza”. A professora diz ainda que a cidade de Aveiro “tanto pode ser portuguesa como holandesa, tal a sua fisionomia típica e característica dos Países Baixos” e que o túmulo [de Santa Joana], talhado em puro mármore italiano, pode ser o orgulho dos aveirenses”.

Tudo muito bem, só que, no final da entrevista, diz-se o seguinte: “Seria realmente uma entrevista, se houvesse acontecido termos encontrado a simpática holandesa e a tivéssemos interrogado. Assim não passa de uma pura fantasia, baseada em verdades que por aí andam patentes aos olhos de toda a gente”. Afinal, em que ficamos? O CV a fazer entrevistas fictícias? Existe mesmo a Sra Hoogveld?

Uma pesquisa na Internet, mesmo sem conhecimentos de holandês, rapidamente revela que a Sra Maya Hoogveld não é personagem de ficção. Nasceu em 1928, em Amesterdão e estudou na Holanda, na Espanha e em Portugal (Coimbra). É especialista em línguas hispânicas e interessou-se de modo especial pelo folclore musical português. No seu currículo destaca-se a presidência, nos anos 60, de uma associação de amizade entre a cidade holandesa de Utreque e Portugal. O nome da associação: “Os Piratas Holandeses”.