A Igreja católica – entenda-se: o edifício doutrinal católico e o corpo de magistério que o promove e ensina – tem sido acusada de “amarrar” as consciências, tornando-as prisioneiras de preconceitos e medos, sem margem para um exercício humano da inteligência e consequentes decisões livres. É um embuste, que facilmente encontra acolhimento entusiasta nos paladinos de uma liberdade coincidente com um total livre arbítrio.
A Igreja já teve a coragem de pedir perdão publicamente pelos processos desumanos algumas vezes utilizados no que deveria ser o anúncio de uma Boa Notícia. E fê-lo com total transparência e plena convicção. Ao contrário, correntes filosóficas, políticas e sociais, que anularam por completo o pensar e o agir pessoal ou de grupo, que exterminaram etnias e nações inteiras, que massacram credos religiosos e “micro-climas” culturais, não fizeram sequer uma autocrítica digna desse nome.
A Igreja católica é mediadora do anúncio de um sistema de valores, os valores do Evangelho, do qual decorre um quadro de vida. É portadora de uma Mensagem personificada, que interpela e convida – a Pessoa de Jesus Cristo, ante a qual cada um de nós tomará uma posição livre.
Se opta por acolher esse Dom, entra num caminho de progressiva identificação com Aquele que acolhe. A Igreja não se configura como sociedade secreta; Aquele que é anunciado não se confina ao intimismo. A Igreja tem rosto público; Jesus Cristo entra na expressão social de cada pessoa que O acolhe.
Sou eu que me “amarro” a esta Mensagem, a este Libertador, como sentido da minha vida. Eu próprio sinto se me desvio ou não desse compromisso, porque sinto a minha fidelidade ou infidelidade a esse vínculo libertador. A minha condição de ser social liga-me àqueles que partilham as mesmas convicções e acolhem o mesmo Libertador. A teia dessas relações configura uma Família que se identifica nos mesmos valores inspiradores da vida. As “regras” que me são recordadas não são “amarras” que me impõem; são lembranças da minha identidade.
A questão é que, muitas vezes, aqueles que acusam a Igreja de violadora da consciência mais não desejam do que, secretamente, despojar a pessoa humana de todas as referências, para que, ao sabor de todas as correntes e ventos, se torne presa fácil de não menos secretos interesses. Para não falar já da ditatorial pretensão do Estado de se tornar a consciência pensante de toda a Sociedade.
Quem olha de modo isento o edifício doutrinal da Igreja católica entende, sem grande esforço, que ele é uma proposta clara, a toda a pessoa humana, em ordem a um paradigma de vida coerente. Quem assume essa proposta é feliz na perseverança!
