D. António Marcelino está ligado desde a primeira hora ao MCC em Portugal. Quando era padre na diocese de Portalegre, trabalhava com equipas que vinham de Ciudad Real (Espanha) ajudar o movimento a dar os primeiros passos no lado de cá da fronteira. Na intervenção que abriu as jornadas, o Bispo de Aveiro deixou uma série de notas ao MCC que valem, como sublinhou, para todos os outros movimentos de Igreja. Esquematizamos aqui um resumo.
* Os grupos que passam tempo a discutir os problemas internos perdem tempo para o que devem fazer na sociedade. Ora, os movimentos nasceram como serviço eclesial às pessoas e à sociedade.
* É necessário ganhar “entranhas de compaixão” para o que falta fazer. É preciso reflectir sobre o mundo para ir mais longe. Não é possível evangelizar sem olhar para os novos sinais dos tempos: a democracia; o fenómeno migratório; a emancipação da mulher, melhor, “o reencontro do seu lugar no mundo”; a situação da família; o mundo da economia e do trabalho; a educação; os tempos livres.
* É necessário mudar a linguagem. Muita está ultrapassada pelo tempo. Os desafios são novos e muito mais fortes. É necessário deixar o “movimento de fotocópia” (o decalque de práticas anteriores) e abraçar nova linguagem, nova sensibilidade.
* É preciso acabar com as vivências meramente sentimentais e passar à vivência apostólica. Um tanque cheio pode ficar com a água estagnada. É necessário ferver e atingir outros ambientes.
* Os líderes dos movimentos devem ser essencialmente educadores da fé. E educam muito mais pelo que se vê do que pelo que dizem.
