Questão levantada pela Ministra da Saúde Em Aveiro para inaugurar o Serviço de Oftalmologia, Ana Jorge considera que é altura de “começar a pensar se sim, como, quando e o quê”
Construir um hospital novo em Aveiro ou ampliar o actual Hospital Infante D. Pedro foi uma questão levantada pela Ministra da Saúde, Ana Jorge, na visita que fez ao hospital aveirense, onde inaugurou as novas instalações do Serviço de Oftalmologia.
Revelando que o Hospital de Aveiro era um dos poucos que não conhecia, Ana Jorge sublinhou que apesar das obras de remodelação de alguns serviços do hospital, pode haver serviços que ainda não têm as condições mais adequadas para as suas funções, pelo que há o anseio “não só dos profissionais mas também das gentes que serve” de um novo hospital. “É algo muitas vezes pensado, é algo que neste momento, face aos constrangimentos, de imediato, é difícil de concretizar”, mas que poderá ser uma realidade “a médio ou longo prazo, e este longo prazo não serão outros trinta anos”, pelo que é altura de “começar a pensar se sim, como, quando e o quê”.
Constrangimentos financeiros
“Há qualquer coisa que poderá ser pensado neste sentido, mas temos de ter consciência que neste momento os constrangimentos financeiros e económicos são grandes. É algo para pensar com muito cuidado, mas que não poderá ficar fora dos horizontes de quem muito investido e trabalhado nesta área”, afirmou a Ministra da Saúde.
Apesar do Serviço de Oftalmologia do Hospital Infante D. Pedro não integrar o PIO (Programa de Intervenção em Oftalmologia), Ana Jorge realçou que o hospital aveirense conseguiu organizar-se para recuperar as listas de espera e desenvolver um programa próprio que em pouco mais de seis meses duplicou a actividade.
Número de partos está a aumentar
Para além da oftalmologia, a Ministra da Saúde referiu outras áreas de actividade que merecem destaque no Hospital de Aveiro, nomeadamente o serviço de maternidade e pediatria. O número de partos efectuado no serviço de maternidade do hospital aumentou significativamente de 2006 para 2007 e, este ano, já foram realizados mais partos do que durante todo o ano de 2007, destacou Ana Jorge, para quem esses números são “certamente resultado da melhoria das instalações e da organização das suas equipas de profissionais”.
Esta é uma área que diz muito a Ana Jorge, porque, como ela mesmo lembrou, é médica e, durante mais de trinta anos, até à sua chegada ao Ministério da Saúde, exerceu pediatria hospitalar, por isso reconheceu: “Muitas vezes aquilo que nós temos e vivemos nos hospitais não é aquilo que gostaríamos de viver. As frustrações existem, o que é bom, porque significa que temos expectativas e são esses nossos anseios que nos fazem viver.”
Ana Jorge defende cooperação
entre a Universidade de Aveiro e o Hospital
Ana Jorge reconheceu que o seu ministério não tem dado especial enfoque aos serviços hospitalares, tendo iniciado a sua acção pela área dos cuidados primários de saúde e dos cuidados continuados. Agora, “chegou a hora de nos debruçarmos sobre as necessidades sentida na área dos hospitais”. O enfoque dado aos cuidados primários teve por objectivo criar respostas a montante dos hospitais, para que “os hospitais também possam trabalhar um pouco melhor e fazer mais aquilo para que foram criados, que é receber doentes referenciados e fazer as áreas das especialidades para as quais têm vocação”.
“A ligação entre os hospitais e os centros de saúde também tem de se desenvolver mais ainda”. No que se refere ao Hospital de Aveiro, Ana Jorge defende: “A ligação entre este hospital e os centros de saúde da sua área de influência directa tem de ter uma boa articulação para podermos ter melhores respostas, fazendo cada um de nós aquilo que é da sua competência”.
Este ano, o Ministério da Saúde lançou um programa para os médicos internos, sem perderem os respectivos internatos, realizarem os seus doutoramentos. A par disso, e em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia e o Ministério da Ciência e do Ensino Superior, está a ser lançado um programa de investigação clínica. Ana Jorge desafiou a Universidade de Aveiro, “que tem também algumas áreas de saúde”, e o Hospital Infante D. Pedro a estreitarem relações para potenciar algumas áreas científicas e profissionais.
