Conversão ecológica

“O homem está efectivamente colocado no centro da criação, como ministro do Criador”. São palavras da exortação apostólica Pastores Gregis (PG), cometendo aos Bispos também uma quota parte de responsabilidade na necessária conversão ecológica, “ensinando a correcta relação do homem com a natureza”.

Anunciaram-se, por estes dias, fundamentadas previsões de acrescidas dificuldades futuras, fruto do aquecimento global do planeta: temperaturas inusitadas, com manifestações associadas de tempestades e inundações; efeitos sensíveis de desertificação e subida dos oceanos, afectando especialmente, nas próximas décadas, a Europa mediterrânica…

Por outro lado, medidas em ordem a reduzir a emissão de gases que agravem o efeito de estufa: limitação da velocidade e circulação automóvel, desenvolvimento de fontes de energia não poluentes…, são preocupação de muitos cidadãos e de alguns governos.

O problema não é uma questão de ideologia ou de programa partidário. Trata-se da sobrevivência da Terra e das espécies que a habitam. “O «gemido das criaturas», a que alude o Apóstolo (cf. Rm 8,22), hoje parece verificar-se numa perspectiva invertida, porque se trata, não já duma tensão escatológica na expectativa da revelação dos filhos de Deus (cf. Rm 8,19), mas dum espasmo de morte que tende a agarrar o próprio homem para o destruir” (PG 70).

E o núcleo do problema são os comportamentos inquinantes, que colocam a produção acima da pessoa humana, o lucro acima da dignidade de quem trabalha, numa visão redutiva e artificial do ambiente, que envolve desprezo pelo próprio homem. “É evidente que está em jogo não só uma ecologia física, ou seja, preocupada com tutelar o habitat dos vários seres vivos, mas também uma ecologia humana, que proteja o bem radical da vida em todas as suas manifestações e prepare para as futuras gerações um ambiente o mais próximo possível do projecto do Criador” (PG 70).

A inspiração da fé é um elemento importante para a correcta visão da ecologia, é um dinamismo significativo no processo de verdadeira conversão ecológica integral. Longe de ser impedimento ao progresso, ela é uma luz a contribuir para se delinearem estratégias de um desenvolvimento sustentável. Não metamos a luz debaixo do alqueire!