Olho de Lince “A morte não é o início de uma noite, mas sim o princípio de uma aurora maravilhosa”. É o excerto de um texto “in memoriam”, que, como agradável surpresa, me foi entregue na saída do funeral, após a celebração. É uma verdadeira graça perceber a visão positiva da morte, por parte dos que ficam em dor.
Já antes da celebração, a conversa na sacristia com um dos familiares mais próximos me deixara entusiasmado. O apreço pela vida, o carinho por aquela vida debilitada que se acabara no dia anterior, a gratidão a todos quantos contribuíram para zelar a qualidade dessa vida até ao fim, o desejo manifestado de integrar na celebração o salmo “O Senhor é meu Pastor, nada me falta”… Uma conversa de vida, a preparar a celebração da morte.
Aliás, o António bem o merecia! Preso a uma cadeira de rodas, durante mais de três décadas, paraplégico por acidente de trabalho, desde a recuperação da consciência que manifestou uma coragem e optimismo tais que sempre espantaram familiares e amigos. Durante vinte e sete anos, eu próprio pude testemunhar o seu amor pela vida. Nunca lhe ouvi um queixume! Seguramente também pelo carinho e paciência da família e dos amigos.
