Convicção ou brincadeira?…

Os homens nem sempre conhecem os tempos, apesar da evolução da ciência, neste caso da meteorologia. Hoje, com uma humildade envergonhada, sempre vão dizendo que as “previsões” catastróficas da perversão da atmosfera podem ser surpreendentes.

O espantoso é que aparecem ministros – cegos do poder! – os quais ditam futuros que não possuem. Mas, muito pior que isso, proferem afirmações que contrariam pura e simplesmente a realidade da vida quotidiana.

Muitos terão notado o que eu notei. Não estamos sob o espectro da seca. A chuva tem-se feito rogada, mas os níveis de água estão satisfatórios, as barragens estão com reservas dentro da normalidade… Estas e outras afirmações gratuitas fê-las um ministro, publicamente, não passaram ainda muitos dias.

O curioso é que, no dia seguinte, as notícias do país real eram mesmo o contrário. O agricultor que já se vira forçado a refrescar a terra, quando o costumava fazer só a partir de Abril, continuando o risco de estarem perdidas as sementeiras da época; as povoações com água racionada – nem para se lavarem convenientemente no tempo da vindima; a escassez de pastagens e o perigo de não haver com que alimentar o gado; as barragens com assustadora escassez de reservas, a condicionar já a produção de energia…

O que andará a fazer este senhor ministro por esse país fora? Quais os canais de informação que lhe pintam a realidade mesmo ao avesso? Ou não lê jornais nem vê telejornais?… Se é convicção, trate de a corrigir, para ver se poderá ainda servir em algo o bem do país. Se é brincadeira, é de muito mau gosto. E então, pegue nas malas e vá fazer outra coisa, porque por anedotas menores já caíram ministros.

Porquê esta obsessão de pintar cor-de-rosa um país que está tão coberto de cinzentos?… O primeiro passo para sairmos de situações aflitivas é reconhecer o estado em que estamos, erguer a cabeça, descortinar novos rumos e, ousadamente, fazer-se ao caminho.

Paliativos são cuidados a preparar e aliviar o fim! Mas nós não nos consideramos em rota de extinção. Acreditamos que a vida tem futuro, que o país tem futuro, que os portugueses são capazes de futuro! Não precisamos de quem nos iluda com palavras bonitas.

Temos urgência de quem deixe de camuflar a verdade, arregace as mangas e avance na primeira linha do combate pelo futuro. De consciência e prática social; sem colectivismos, mas com o sentido da igual dignidade de todos; numa teia de diferenças admissíveis e desejáveis, mas sem exclusões nem sequer escalonamento de cidadãos de primeira e de segunda.

E os cristãos que se cuidem, porque o seu silêncio cúmplice não corresponde às exigências do Evangelho, não identifica o seguimento do Mestre. As omissões podem ser pecados mais graves que as acções!