Copiar não compensa

Isto é contigo A corrupção de um país começa nos bancos da escola. Há correspondência entre os países mais corruptos e aqueles em que o copianço é mais tolerado.

“Quem não cola não sai da escola”, diz um ditado brasileiro. O mesmo é dizer: “Quem não faz copianço não passa de um tanso”. Será mesmo assim? Não, não é. Um estudo internacional feito pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, se não prova o contrário, prova algo muito parecido: os países onde os alunos copiam mais são os países mais corruptos. E os países mais corruptos, como se sabe, são os mais pobres.

Vejamos alguns dados desse estudo. Na Suécia, um dos 21 países analisados, 95,5% dos estudantes afirmam que nunca copiaram. 4,5% dizem que copiam algumas vezes. E o número dos que copiam muitas vezes é: 0%! Na Dinamarca, os números são parecidos, respectivamente 94,9%, 3,8% e 1,3%. E em Portugal? Neste cantinho à beira-mar plantado, 37,6% dos estudantes dizem que nunca copiam, 60% confessam ter copiado algumas vezes e 2,4% dizem copiar muitas vezes.

Para termos um outro termo de comparação, vejamos a Colômbia: 70,5% copiam algumas vezes e 27,3% nunca copiam.

O tal estudo do Porto diz que há uma clara correspondência entre a percentagem de alunos que admite copiar e o Índice Internacional da Transparência (listagem dos países segundo o grau de percepção da corrupção: os países escandinavos são os menos corruptos, enquanto os da América Latina e África estão no fundo da tabela; os países do sul da Europa, como Portugal, estão do meio para cima).

Naturalmente, um defensor do copianço poderá argumentar que, por nada funcionar de acordo com a ética num país como o nosso (corrupção, cunha, falcatrua, jeito…), é que é legítimo copiar; mas o estudo aponta uma conclusão em sentido contrário: “É provável que quem adopta actividades não éticas na sala de aulas as venha também a adoptar no mundo dos negócios”. Ora, como a corrupção é inversamente proporcional à competitividade de um país (quanto maior a corrupção, menos competitivo é o país), copiar nos bancos da escola é hipotecar o futuro do próprio país.

O estudo bem poderia concluir assim: “Queres um país melhor para ti e para os teus filhos? Não copies”.