Coração da diocese

O Seminário de Santa Joana Princesa festejou, no início desta semana, sessenta anos de vida. A efeméride foi assinalada pela Celebração da Eucaristia e o jantar convívio, com a presença dos actuais e anteriores protagonistas imediatos desta instituição, que constitui o núcleo central da vida da Diocese.

Quando visitamos ruínas de antigas estruturas físicas da Igreja, pressentimos a vida que as povoou, revisitamos pessoas e factos que animaram esses espaços; mesmo que distantes no tempo, inserimo-nos interiormente nessa corrente de vida que pululou a partir e à volta de tais memórias do passado.

Há instituições que, pela sua importância, deixarão um fluxo de animação perene na sociedade e na Igreja. O Seminário é uma delas. Não é por acaso que se lhe chama o “coração da Diocese”. O edifício de pedras simplesmente dá o nome a um vasto corpo de relações essenciais para a vida da Igreja Local.

Para o Seminário converge toda a vitalidade das Famílias, das Comunidades cristãs. A pujança da Fé nesses círculos eclesiais é que proporciona a sensibilidade ao chamamento de Deus e alimenta a generosidade da resposta ao mesmo chamamento. Se a crise de vocações é consequência de debilidade da fé pessoal, esta resulta da fragilidade da vida cristã das famílias, da rotina e inércia da vida das Comunidades. Ao contrário, a frescura, a alegria e o entusiasmo destas esferas da Igreja na adesão a Jesus Cristo motivam o encanto por um projecto de entrega pessoal total a Deus e ao serviço dos Irmãos. Por isso, o Seminário é todo o conjunto de protagonistas que se faz “atmosfera” favorável ao florescimento e fidelidade dos candidatos ao ministério ordenado.

Em sentido inverso, é do Seminário que surgem os animadores essenciais da vida eclesial. O sacerdócio comum dos fiéis precisa de ser alimentado por esta multiplicidade de “articulações”, de elos orgânicos, para que o Corpo cresça e se desenvolva com harmonia. O ministério ordenado não nasce da Comunidade, mas só tem razão de ser em função da vida das Comunidades, incondicionalmente ao serviço delas. Espera-se, portanto, que os pastores conheçam, estimem, conduzam carinhosamente as suas ovelhas. E que estas reconheçam a sua voz, como eco da voz do próprio Mestre, acolham e estimem a sua entrega, nutram e estimulem o seu entusiasmo, com a resposta viva da fé.

Compreende-se, nesta perspectiva, que o Seminário seja o coração da Diocese: que sofre com as debilidades do corpo, que rejubila com a saúde do mesmo; que devolve aos membros o fluxo necessário para que se robusteçam. Corpo sadio, coração pulsante de entusiasmo! Coração vigoroso, corpo pleno de saúde!