Painel Miguel Neto
Padre, director do Gabinete de Informação da diocese do Algarve
Deve ser um jornal que valorize, de forma isenta, sem conteúdo apologético, todas as notícias de índole religiosa, que realce as várias actividades que vão ocorrendo em cada diocese e que também coloque nas suas páginas alguns apontamentos e notícias que muitas vezes não têm espaço noutros jornais. Refiro-me a notícias de conteúdo regional e generalista.
Por outro lado, sendo um jornal para uma comunidade, penso que deve ter uma grande componente de interacção, até porque a parte do noticiário religioso pode levar a isso. Quando se fala do fenómeno religioso e das actividades religiosas, estamos no campo das vivências que podem gerar ecos e partilhas.
Pedro Neto
Dirigente da Orbis e do Secretariado Diocesano de Animação
Missionária
Deve ser exemplar na sua catolicidade, ou seja, aberto, com qualidade jornalística, com um design atractivo, com informação abrangente, com trabalho de reportagem local, nacional, internacional. Quanto à temática, tudo o que valha a pena ser notícia, pela positiva.
O Correio do Vouga, em particular, pode e deve ser um projecto de vanguarda. Sendo nesta altura o único semanário de Aveiro, tem uma oportunidade fabulosa de se distinguir e marcar a cidade informativa, a Diocese, o distrito! Tem uma oportunidade fabulosa de interagir com a sociedade, de se tornar um projecto atractivo e sustentado do ponto vista financeiro (e assim crescer ainda mais!).
Um jornal católico não pode ser uma coisa fechada, só com notícias de igreja. Para isso temos os boletins do fim da missa. Tem de ser uma marca no mundo, tem de ser uma voz que ecoa nele, pois é no mundo que a Igreja está e actua.
Paulo Rocha
Jornalista, director da Agência Ecclesia
Devia ser, antes de mais, um jornal, no que essa palavra indica e tem de consequente, isto é, conduzido e construído profissionalmente na sua estrutura editorial e empresarial. Critério profissional sempre presente.
Tem de ser um jornal feito das vontades de quem o está a construir. Falando dos jornais de matriz católica, com o suplemento da paixão pessoal consegue-se fazer milagres.
Não precisamos de estar à espera da orientação que vem da hierarquia, mas devemos começar, nós próprios, a fazer alguma coisa. Se fizermos bem feito, deontologicamente bem, quando apresentamos o resultado, ele não é rejeitado, mas incentivado.
Manuel Alte da Veiga
Professor universitário, colaborador do Correio do Vouga
Deve ser católico, geográfica e sociologicamente, “universal”. Deve ultrapassar sentimentos de guetos, combater a inclinação para pensar que “o nosso grupo é que é bom”, que “nós é que somos os melhores”, cuidar para que não possa ser acusado de se colar a elites poderosas ou a figuras mediáticas, como se só estas pudessem ter voz.
Deve ter secções atentas aos principais problemas e interesses do ser humano. Um breve artigo central serviria de meditação “católica” (universal) a partir de acontecimentos próximos.
Deve ter notícias diversas (não descurando as rubricas mais atractivas), em bom estilo, sempre que possível provocador do espírito crítico. Deve ter referências (e até entrevistas) quanto ao trabalho, ideias, preocupações da “pessoa comum” (e não necessariamente “um fiel”). Deve ter o agrado de leitores, que nele se poderão rever e intervir (com interrogações, opiniões…).
