Esta associação pretende aproximar a arte musical da liturgia e dar a conhecer à sociedade os grandes tesouros musicais da Igreja
O Coro da Catedral de Aveiro apresentou-se pela primeira vez em concerto na noite de sexta-feira, 26, dia em que o Bispo de Aveiro assinou o decreto de erecção canónica. Os estatutos já haviam sido aprovados na assembleia constituinte de 20 de Junho.
O primeiro concerto consistiu na interpretação de instrumentais renascentistas e barrocos, por Tiago Matias (guitarra barroca e tiorba), Jorge Álvaro Ferreira (flauta) e António Mário Costa (órgão), na primeira parte, e de cinco peças de polifonia renascentista e barroca mais uma de Mendelssohn e o “Pater Noster” de Stravinsky, na segunda parte.
O Coro tem como objectivos, segundo os estatutos, “promover a prática e a divulgação da música sacra-coral e coral-sinfónica” e “aproximar a arte musical da liturgia”. Para al-cançar estes fins, propõe-se realizar concertos de música sacra e participar nas principais celebrações litúrgicas da Catedral de Aveiro presididas pelo Bispo da Diocese. No entanto, os responsáveis pelo coro pretendem que o seu trabalho extravaze o espaço religioso e “vá igualmente ao encontro dos agentes culturais e de todas as pessoas interessadas na prática e da divulgação dos «tesouros» da tradição musical da Igreja”.
No final da primeira actuação, muito aplaudida por um público que quase preenchia o corpo principal da Sé, o Bispo de Aveiro manifestou-se satisfeito por lhe ter sido concedida “a graça de ter assinado o decreto de erecção do Coro” e pelo “momento importante da vida diocesana” que o aparecimento deste grupo representa. “A partir de vós – disse, dirigindo-se aos coralistas – vão irradiar pela Diocese valores e talentos, que proclamam a glória de Deus e proporcionam momentos de bênção e de arte”. D. António Francisco louvou a determinação com que P.e Paulo Cruz e Domingos Peixoto se lançaram no empreendimento e agradeceu o “trabalho, a dedicação e o testemunho dado à Igreja”. “Não contais com a minha ajuda [vocal – subentendeu-se], mas com a minha admiração, estímulo e incentivo”, disse.
O Coro tem como maestro titular António Mário Costa, auxiliado por Tiago Matias e Ricardo Ramos. Referindo-se a eles, o Bispo de Aveiro realçou: “Com o talento prestigiado que todos nós vos reconhecemos, temos a certeza de que o futuro do coro está assegurado”.
Contando com “associados cantores” e “associados colaboradores”, o Coro é uma “associação de fiéis”, de âmbito diocesano, que em breve será reconhecida no foro civil.
J.P.F.
António Mário Costa dirige
O Coro da Catedral de Aveiro acolhe alguns músicos que passaram pela Escola Diocesana de Música Sacra (EDMUSA), que tem como principais dinamizadores o P.e Paulo Cruz e o professor Domingos Peixoto, que são, respectivamente, presidente e vice-presidente da direcção da associação do Coro, mas não se confunde com esta escola que tem como principal finalidade formar músicos e cantores para os coros paroquiais.
Neste momento, o Coro tem vinte elementos mais três maestros: António Mário Costa, Tiago Matias e Ricardo Ramos.
António Mário Costa, maestro titular, é professor da Universidade Católica, organista da Catedral do Porto e responsável pelo Coro do Seminário Maior do Porto. Em Aveiro, além do coro recém-criado, dirige o Coro de Câmara “Capella Antiqua”, que recentemente actuou na recepção do Presidente da República nos Paços do Conselho, e o Coro de Santa Joana.
