Crédito

Ponta de Lança Crédito?! O fim do crédito, isso sim! – exclama a cidade, a região, o país, a zona euro.

Estão, tudo e todos, bastante pessimistas, amorfos, sem horizontes rasgados para o futuro. Mas na verdade não há matéria para tanto. Preocupados, sim. Desesperados (isto é, sem esperança)… nunca!

É verdade que este tempo de fast-food, no que a expressão contém de real e metafórico, o que reina é o imediatismo: rápido, barato e saboroso. Ou seja, o máximo prazer no menor dispêndio. É este ritmo que embala o berço dos portugueses, o nosso berço.

Porém, Roma e Pavia não se fizeram num dia!?

E aqui reside o segredo sobre as expectativas que se pode ter: equilíbrio entre deve e haver. Para eventuais desvios ou suplementos… haja crédito! Crédito financeiro, crédito político, crédito desportivo e, sobretudo, crédito ético!

É este último que elimina todos os outros ou a falta deles.

Crédito financeiro! Está tudo de rastos. Aumentam os juros, hipoteca-se tudo, nada é das pessoas, dominam as instituições mais ricas, há um perigoso aumento no fosso entre zero e… tudo.

Crédito político. Já não há nada que agrade. Havia a firme convicção sobre a força das maiorias. Mas as maiorias podem ser sempre minadas por duas razões: incompetência e dinheiro. A primeira provoca inoperância, desgoverno. A ausência de dinheiro paralisa tudo (a mente, o trabalho, o divertimento…); apenas valerá como útil o ditado “quem não tem dinheiro não tem vícios”!

Crédito desportivo. É algo emocional, talvez excessivamente emocional. Mas quando não há querer, vontade, atitude, apenas se revelam vaidades. O Euro 2007, a decorrer na Holanda, já começou a revelar o que temos de pior nesta selecção, a mesma (geração) que há uns anos esfrangalhou um balneário em França.

Ah! Sobre isto também vale o que se passa na imprensa. Uma vergonha, tanta lamentável especulação sobre o defeso desportivo.

Crédito ético. É o essencial, como se sabe. O bom nome (pessoal ou colectivo), construído com dignidade, desvelo, dedicação e verticalidade abre e fecha todas as portas.

À beira do Verão, do tempo propício para umas pensativas pausas de fim de tarde, em noite amena, fim-de-semana repousado ou férias… recriem-se as linhas de crédito! A maior das prudências é expressa no silêncio da ponderação.

Desportivamente… pelo desporto.