Início do pontificado de Bento XVI “Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada; concede tudo!” – clamou, entusiasmado, Sua Santidade Bento XVI, para os Jovens, para a Igreja, para si próprio, para o Mundo, na homilia do início do seu pontificado. Retomando a ideia inicial do ministério de João Paulo II, o Papa exortou a humanidade a que acolha Cristo: quem O deixa entrar “não perde nada, nada – absolutamente nada – do que faz a vida livre, bela e grande.” Porque aquilo que a Sua entrada exigir de transformação não é senão caminho de vida!
E é na medida em que a Igreja se submete a Cristo que está viva. Tocando o mistério da Sua morte e da Sua ressurreição, no sacramento da Eucaristia, ela nutre-se e consolida a sua unidade: em si mesma, na articulação, em serviço, de todos os ministérios, de todos os dons; aberta ao diálogo com todas as confissões cristãs, com o povo judeu, unida a todos os homens, crentes e não crentes.
A Igreja não está só: João Paulo II não atravessou sozinho o limiar da vida; os cardeais não passaram sozinhos o limiar da sala de conclave; o Papa não se sente só ao assumir o ministério de Bispo de Roma e Pastor Universal. A comunhão dos santos é uma realidade palpável, sustentada pela inumerável multi-dão de quantos, ao longo da história e no presente, testemunham a união com Cristo.
Os distintivos da investidura papal – o pálio e o anel do pescador – os símbolos de pastor e pescador, representam para o santo Padre o acolhimento e a busca não de si próprio, mas da vontade de Deus, para se oferecer como cordeiro imolado, para buscar a ovelha perdida, para resgatar os homens do mar da iniquidade, para servir as pastagens da vida a todos quantos atravessam desertos exteriores, porque se estenderam os desertos interiores. A Igreja, no seu conjunto, com os Pastores, há-de pôr-se em caminho, como Cristo, que abandona a glória do céu, para servir aos Homens a alegria de Deus.
“Apascentar quer dizer amar; e amar quer dizer também estar dispostos a sofrer. Amar significa dar o verdadeiro bem às ovelhas, o alimento da verdade de Deus, da palavra de Deus; o alimento da Sua presença, que Ele nos dá no Santíssimo Sacramento.” Este é o “programa de governo” de Bento XVI – o dom de Deus para os nossos dias.
Querubim Silva
